
Uma sondagem da ANK Reputation, empresa de consultoria empresarial criada em Porto Alegre e com atuação também em São Paulo, mostra as principais preocupações a partir de entrevista com 125 CEOs e líderes em nível de diretoria que representam 24 segmentos da economia nacional. Do ponto de vista corporativo, a turbulência eleitoral é principal risco para 77% dos ouvidos.
Anik Suzuki, CEO da ANK, detalha que as consultas foram encerradas em 15 de janeiro, antes da última ofensiva de Donald Trump. Mas nem o tarifaço que assombrou 2025 foi citado como um grande problema. O que tira o sono, mesmo, é a disputa por Presidência da República, governos de Estado e legislativos federal e estaduais.
— Muitos acham que pode ser uma das piores eleições da história, pela agressividade. A pesquisa não mostra, mas é possível fazer uma leitura qualitativa das entrevistas: com os negócios paralisados sob o peso das eleições, operações que antes levavam 60 dias podem levar 90 ou até 120. Por isso, os investimentos estão sendo analisados com um pouco mais de cautela. Isso não quer dizer desistir, mas olhar de novo — relata Anik.
Um percentual bem menor chama a atenção na pesquisa exatamente pela diferença que tem em relação à anterior. Em um grupo no qual o otimismo é crucial para tocar os negócios, o percentual dos que acham que o ano será melhor caiu de 80% em 2025 para 58% em 2026.
— É inquietante porque o empresário brasileiro costuma ser mais otimista do que os de outras nacionalidades. Está relacionado ao empreendedorismo e ao grande volume de empresas familiares, que se habituaram a passar por crises. Quem tem esse DNA empreendedor costuma acreditar que o que está sob o seu controle será suficiente para tocar o negócio. Existe uma corrida desenfreada para 'fazer o ano' no primeiro semestre. Isso se tornou absolutamente estratégico para os resultados de 2026 — complementa Anik.
Outro dado curioso é o que aponta que 70% dos consultados se consideram "parcialmente preparados" para enfrentar riscos.
— Empresa brasileira não tem cultura de prevenção. Atua muito sobre o que é concreto, com exceção das grandes, com faturamento acima de R$ 5 bilhões, onde essa preparação é melhor. Outro ponto é o da empresa que investe, coloca mais método no processo, mas é superada pelos acontecimentos. Um terceiro fator é que houve uma dança das cadeiras muito forte nos últimos dois anos, com mudanças nas diretorias. Há preocupação grande em preparar esse time que recém chegou.
Ao consultar como as empresas tratam a reputação, o cenário desenhado pelas respostas ainda é precário.
— Tempos de crise institucional, com o tipo de eleição que teremos, aumentam o clima de desconfiança. Temos visto falhas ou mal-entendidos dragarem empresas para crises, por não ter a velocidade necessária, nem a técnica correta de boa comunicação. Empresas, muitas vezes, avaliam-se por suas intenções.
As principais conclusões
- 77% apontam como principal risco o ambiente nacional turbulento causado pela disputa eleitoral
- 75% avaliam que reputação impacta diretamente resultados financeiros e valor do negócio, em empresas que faturam mais de R$ 5 bilhões
- 70% das empresas estão "parcialmente preparadas" para enfrentar riscos
- 58% dos participantes esperam ano melhor em 2026, indicador que era de 80% em 2025, portanto teve queda de 22 pontos percentuais.




