
O efeito da guerra no Oriente Médio apareceu na inflação e, nesta segunda-feira (20), chegou à expectativa de juro monitorada pelo relatório Focus, do Banco Central (BC). A maioria dos economistas ouvidos para a elaboração da pesquisa elevou sua previsão de Selic no final do ano de 12,5% para 13%.
Isso significa que o Comitê de Política Monetária (Copom) da autarquia federal deve cortar a taxa básica em 1,75 pontos percentuais somando as decisões das seis reuniões ainda previstas para 2026. Há pouco mais de um mês, com projeções apuradas antes da guerra, a expectativa do mercado estava em juro de 12% no final do ano.
A alta do petróleo no mercado internacional como consequência do fechamento do Estreito de Ormuz pressiona preços não só dos combustíveis, mas também roupas, maquiagem e embalagens. Como a tensão sobre o cessar-fogo entre EUA e Irã não aliviou, a previsão de inflação no Focus para este ano subiu de 4,71% para 4,8%, acima do teto da meta estipulado para 2026, de 4,5%. E como se sabe, o remédio para alta nos preços costuma ser juro maior.
Selic nas alturas por período maior do que o inicialmente esperado tende a afetar o crescimento da atividade econômica, do endividamento das famílias e das empresas. Isso deve ajudar a deixar os preços mais comportados, mas tem potencial de comprometer a saúde financeira do país, como alertou à coluna a diretora-presidente da Associação Open Finance, Ana Carla Abrão.
*Colaborou João Pedro Cecchini





