
Embora seja um extremo, Paolo Zampolli, assessor especial do presidente dos Estados Unidos para "assuntos globais", ilustra como Donald Trump formou sua equipe. Na montagem de seu governo, não importava a qualificação do escalado, mas seu grau de fidelidade. Agora que os EUA estão envolvidos em uma guerra que ameaça arrastar o planeta para uma recessão, esse critério grita.
Na manhã desta sexta-feira (24), o petróleo está cotado a US$ 105. Em perspectiva, a cotação do barril está há mais de um mês acima de US$ 100, com uma semana de intervalo nesse período. Vários países cancelam voos, outros estudam racionamento de combustível, caso da Suécia. Além da alta de preço, o fechamento do Estreito de Ormuz ameaça a disponibilidade física da matéria-prima que move o mundo. A desaceleração da economia global já está contratada. Sem perspectiva de solução, há risco de recessão.
E o país que entrou em guerra sem saber como encerrá-la vive uma dança das cadeiras nas forças armadas considerada incomum na história dos EUA. A demissão mais recente expôs o "padrão Zampolli" no governo Trump. O secretário da Marinha, John Phelan, não tinha qualquer experiência bélica: era um dos maiores doadores da campanha eleitoral de Trump.
Sem justificativa oficial, a saída de Phelan foi atribuída ao fato de ele se reportar diretamente a Trump, sem passar pelo secretário de Defesa, Peter Hegseth. É outro exemplo do "padrão Zampolli". Antes de comandar a área, a carreira militar de Hegseth – na época da indicação, um comentarista da Fox News – era a seguinte: líder de pelotão no Iraque entre 2005 e 2006, guarda na Baía de Guantánamo e instrutor de contrainsurgência no Afeganistão entre 2010 e 2012.
Só no período de guerra ou pré-guerra, também foram desligados Randy George, chefe do Estado-Maior do Exército, em 2 de abril, e Charles Q. Brown, chefe do Estado-Maior Conjunto, e outros cinco almirantes e generais em 21 de fevereiro, uma semana antes dos primeiros ataques ao Irã. Na formação da equipe, Steve Cheung, da equipe de comunicação de Trump, afirmou que os escolhidos eram "extremamente qualificados". Houve quem acreditou.





