
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado dado na quarta-feira (8), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que não há auditoria ou sindicância interna que aponte suspeita sobre a conduta de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição, no tratamento do Banco Master, liquidado em 17 de março.
Um dos funcionários afastados do BC por indícios de atuar em favor do Master, Paulo Sérgio Neves de Souza, foi diretor de Fiscalização na gestão de Campos Neto, entre 2017 e julho de 2023. O Master surgiu nesse período, em 2019, com a compra do banco Máxima por Daniel Vorcaro. Para lembrar, Neves de Souza e Belline Santana, que era chefe de Supervisão Bancária, atuavam como "empregados/consultores" de Vorcaro, conforme a Polícia Federal,
O depoimento de Galípolo é importante por dois motivos. Um é atenuar a exploração eleitoral de Campos Neto. Outro é chamar à responsabilidade o ex-presidente que era o máximo regulador quando o Master já era visto com extrema desconfiança pelo mercado. O ex-presidente do BC já se negou três vezes, por meio de pedidos de habeas corpus, depor à CPI, que vai encerrar seus trabalhos na próxima sexta-feira (14).
O comportamento de Campos Neto tem efeito contrário ao provocado por Galípolo. Ao se negar a depor, só alimenta ilações sobre sua eventual leniência a respeito do caso. Ao prestar esclarecimentos, ajudaria a fechar eventuais brechas indevidas abertas durante a desregulação destinada a aumentar a concorrência no sistema financeiro, uma das características de sua gestão. Considerada acertada por especialistas no tema, essa iniciativa hoje é vista sob outra luz, diante de alguns resultados.
Nesta quinta-feira (9), em outro evento, Galípolo resumiu qual deve ser a postura do BC diante do choque com o envolvimento de dois funcionários de carreira da instituição no escândalo Master:
— O Banco Central não está disponível para negociar o seu mandato (a autonomia), mas quando fizermos algo de errado, é hora de apontar o que está de errado dentro e não só pedir desculpas, mas cortar na carne.





