
Com fechamento do Estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura de energia no Oriente Médio pressionando a oferta global de petróleo, mais estrangeiros vieram comprar barris no Brasil em março, primeiro mês da guerra na região. As exportações nacionais de óleos brutos de petróleo cresceram 70,4% no período, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
As vendas somaram US$ 4,8 bilhões em março deste ano, ante US$ 2,8 bilhões em mês igual de 2025, segundo dados publicados nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O petróleo foi o segundo produto mais exportado pelo Brasil no mês passado, só atrás da soja.
O preço do tipo brent, referência internacional, disparou cerca de 50% desde o início da guerra no Irã. Isso significa que as exportações da matéria-prima fóssil subiram também por conta do salto na cotação. Mas como, em volume, os embarques de óleos brutos de petróleo subiram 75,9%, não foi só efeito do preço.
Em 12 de março, o governo federal instituiu alíquota de 12% sobre exportações de petróleo. Com a medida, o Palácio do Planalto prevê arrecadar R$ 30 bilhões, valor que será usado para compensar gastos que devem ajudar a amortecer o impacto da crise do petróleo no Brasil, como subsídios para o diesel.
Vendas do RS caem
As exportações do Rio Grande do Sul para o Oriente Médio caíram 54% em março. O conflito desencadeado por ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se espalhou na região e envolveu ao menos 13 países que compraram US$ 80,6 milhões em produtos gaúchos no mês passado, 4,8% do total vendido pelo Estado ao Exterior no período. Antes da guerra,
Israel e Irã são protagonistas, mas Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre também relataram danos por ataques retaliatórios iranianos no Oriente Médio. Mais tarde, os Houthis, grupo do Iêmen, entraram no conflito reivindicando ataque com mísseis contra Israel.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo




