
Enquanto o debate sobre o fim da escala 6x1 tende a avançar no Congresso em ano eleitoral, sob fortes críticas do setor produtivo, uma das empresas que deve redefinir o mundo dos negócios com inteligência artificial (IA) defendeu testes no regime 4x3.
A OpenAI, dona do ChatGPT, publicou um relatório no qual afirma que, enquanto novas formas de trabalho surgirão, "alguns empregos desaparecerão" e indústrias inteiras serão remodeladas em velocidade sem precedentes históricos.
Entre as propostas apresentadas, a OpenAI defende a redução da jornada de trabalho sem corte de salários. A sugestão é incentivar testes com semanas de quatro dias (32 horas), mantendo níveis de produção e serviço. O documento da bigtech se chama "Política Industrial para a Era da Inteligência" e foi tornado público há poucos dias (confira o original aqui).
O texto faz um esforço para ser lido como um ganho: sugere "iniciar uma conversa sobre a governança da IA avançada de maneira que priorize as pessoas". Mas avança para alguns pontos inquietantes, citando "ampliar contribuições para aposentadoria" e "oferecer apoio para cuidados com filhos e idosos". Não é preciso muito exercício mental para imaginar em que cenário essas medidas fariam sentido.
Leia trechos
A justificativa
"Em apenas alguns anos, a IA evoluiu de sistemas capazes de realizar tarefas rápidas e específicas para modelos que podem executar tarefas gerais que antes levavam horas para serem realizadas por pessoas. Agora, estamos iniciando uma transição rumo à superinteligência: sistemas de IA capazes de superar os humanos mais inteligentes, mesmo quando assistidos por IA. Ninguém sabe exatamente como essa transição se desenrolará. Na OpenAI, acreditamos que devemos conduzi-la por meio de um processo democrático que dê às pessoas o poder real de moldar o futuro da IA que desejam, e nos preparar para uma gama de resultados possíveis, ao mesmo tempo em que desenvolvemos a capacidade de adaptação. É para isso que serve este documento: para iniciar uma conversa sobre a governança da IA avançada de maneiras que priorizem as pessoas."
A proposta
"Converter os ganhos de eficiência da IA em melhorias duradouras nos benefícios dos trabalhadores quando a carga de trabalho rotineira diminui e os custos operacionais caem, incluindo incentivar as empresas a aumentarem as contribuições ou contrapartidas para a aposentadoria, cobrirem uma parcela maior dos custos de saúde e subsidiarem o cuidado infantil e de idosos. Incentivar empregadores e sindicatos a realizarem projetos-piloto com semanas de trabalho de 32 horas/quatro dias, com prazo determinado, sem perda salarial, que mantenham os níveis de produção e serviço constantes, e então converter as horas recuperadas em uma semana permanente mais curta, folga remunerada acumulável ou ambos. Quando for útil, as empresas também podem oferecer 'bônus de benefícios' previsíveis, vinculados a melhorias mensuráveis de produtividade, para que o dividendo da eficiência se manifeste tanto como segurança financeira a longo prazo quanto como tempo livre para os trabalhadores.
Os riscos
"A transição para a superinteligência trará consigo riscos sérios – desde a disrupção econômica, passando pelo uso indevido em áreas como cibersegurança e biologia, até a perda de alinhamento ou controle sobre sistemas cada vez mais poderosos. Sem uma mitigação eficaz, as pessoas serão prejudicadas. Evitar esses resultados exige a construção de novas instituições, salvaguardas técnicas e estruturas de governança para que os sistemas avançados permaneçam seguros, controláveis e alinhados – reduzindo o risco de danos em larga escala, protegendo sistemas críticos e garantindo que as pessoas possam confiar na IA em seu dia a dia. À medida que a capacidade aumenta, a segurança também deve aumentar."




