
Depois de encostar em R$ 5 na semana passada, o dólar caiu abaixo dessa barreira psicológica no início da tarde desta segunda-feira (13). Às 13h50min, foi cotado a R$ 4,999 e, até agora, sustenta o novo patamar. Isso em um dia em que o petróleo segue em US$ 100 e há grande incerteza sobre a guerra no Irã, sobretudo após o fracasso das negociações de paz no Paquistão. E ao mesmo tempo em que o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, está perto não mais de um novo recorde nominal, mas de um real, ao menos corrigido pelo IPCA.
É claro que o objetivo imediato do mercado financeiro é usar qualquer "evento" para fazer dinheiro. Mas precisa ter ao menos um dedinho do pé na realidade, conhecida por esses agentes como "fundamentos". Então, parte é otimismo e necessidade de obter lucro. Mas parte tem "fundamento".
Como a coluna já relatou, o Brasil é exportador líquido de petróleo, ou seja, vende mais do que compra a matéria-prima que acumula alta de 32% considerando a cotação atual. Isso significa que, se o barril seguir caro, como se teme, mais dólares vão entrar no país, o que tende a valorizar a moeda brasileira. Isso vai além do movimento que, até pouco tempo, era baseado no enfraquecimento do dólar.
E o que o Brasil manda de petróleo ao Exterior não é pouca coisa. É o sétimo do ranking dos maiores exportadores. Em março, aumentou em 70,4% o volume de vendas a outros países. A matéria-prima fóssil se tornou o produto mais exportado pelo Brasil. Por isso, do saldo comercial (resultado positivo da diferença entre exportações e importações) de US$ 14,2 bilhões no primeiro trimestre, 60% vieram de óleo bruto e derivados (US$ 8,5 bilhões).




