
Mesmo com 15 navios de guerra americanos alinhados para fazer o bloqueio ao Estreito de Ormuz, o petróleo moderou a alta no final da tarde. Às 17h, estava em US$ 98,26, abaixo dos US$ 100 em que havia se situado na abertura do mercado e até boa parte da manhã. O resultado é uma alta mais discreta do barril, de 3,2%.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a rugir nesta segunda-feira (13), mas depois afirmou que o Irã quer um acordo e a negociação seria "agora, com as pessoas certas". Nos EUA, índices e bolsas fecharam no positivo, entre 0,6% do tradicional índice Dow Jones ao firme 1,2% da Nasdaq. No Brasil, depois de ensaiar no final da semana passada, o dólar passou a trafegar e também fechou abaixo da barreira psicológica de R$ 5. Com baixa de 0,29%, ficou em R$ 4,997.
Nesse cenário em que o "lobo" que Trump sempre chama parece ter voltado a ser só um fábula, a bolsa no Brasil se aproximou ainda mais do recorde real. Subiu 0,34%, para 198 mil pontos. O recorde real, considerando a atualização pelo IPCA, não em dólares, seria de 198,95 mil pontos. Bastaria uma alta pouco acima 0,3% para assinalar a máxima histórica real.
Por que petróleo caro faz mais dólares entrarem no Brasil
Como a coluna já relatou, o Brasil é exportador líquido de petróleo, ou seja, vende mais do que compra a matéria-prima que acumula alta de 32% considerando a cotação atual. Isso significa que, se o barril seguir caro, como se teme, mais dólares vão entrar no país, o que tende a valorizar a moeda brasileira. Isso vai além do movimento que, até pouco tempo, era baseado no enfraquecimento do dólar.
E o que o Brasil manda de petróleo ao Exterior não é pouca coisa. É o sétimo colocado no ranking dos maiores exportadores. Está entre o Iraque e os Emirados Árabes Unidos (veja tabela acima). Em março, aumentou em 70,4% o volume de vendas a outros países. A matéria-prima fóssil se tornou o produto mais exportado pelo Brasil. Por isso, do saldo comercial (resultado positivo da diferença entre exportações e importações) de US$ 14,2 bilhões no primeiro trimestre, 60% vieram de óleo bruto e derivados (US$ 8,5 bilhões).

