
Na terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que era "desnecessária a 'taxa das blusinhas'". Argumentou que seriam "compras muito pequenas" de "pessoas de baixo poder aquisitivo". E arrematou com uma pista sobre sua motivação: "Sei do prejuízo que isso trouxe para nós". Só de janeiro a março deste ano, o imposto sobre compras em sites internacionais chegou a R$ 1,28 bilhão.
Na quinta-feira (16), o novo ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou também ter se oposto à aprovação porque "foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo". No país que ainda tenta se habituar a mudanças de regras de quatro em quatro anos agora assiste ao debate de reversão de uma medida dentro de um mesmo mandato. É a confirmação da máxima de que, no Brasil, até o passado é incerto. E se a causa é perda de popularidade em ano eleitoral, depõe contra a reeleição.
Nesta sexta-feira (17), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reforçou que o debate vai ocorrer porque "a taxação trouxe desgastes políticos nas pesquisas para o governo". E lembrou que a cobrança foi aprovada para "proteger empresas nacionais que estavam sofrendo com a chegada de produtos, principalmente chineses".
Já houve medidas eleitoreiras mais danosas para a economia, caso da pedalada nos precatórios em 2021 e da PEC apelidada de "Kamikase" em 2022. Mas a proposta de "mudar a mudança" só reforça os riscos do governante de turno usar o poder apenas para tentar se reeleger, não para tomar a decisão mais racional.
E o que disse Motta sobre as chances de a discussão avançar no Congresso? Afirmou estar disposto a discutir, ouvindo "o setor produtivo e representantes dos consumidores". Disse que a Câmara é "simpática à redução de imposto". Mas o líder da Casa que amplificou o debate sobre vantagens indevidas ao inventar uma escala 3x4 para os servidores do Legislativo agora também afirma que é preciso avaliar "a possibilidade de avançar ou não, diante do impacto fiscal nas contas públicas".




