
Com o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo despencou a US$ 90 na manhã desta sexta-feira (17). Chegou a cair até US$ 86,35, mas retornou ao nível de US$ 90 depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que manteria o bloqueio naval a navios iranianos e a reação do Irã, ameaçando voltar a fechar o canal. Às 17h, a cotação do brent, referência internacional, tinha queda de 8,7%, para US$ 90,75, menor nível em cerca de um mês. A passagem por onde passa cerca de um quinto do tráfego global de barris ficou fechada por sete semanas, o que levou o petróleo de US$ 60, antes das primeiras ameaças de Trump, para acima de US$ 110.
Caso seja mantida apesar do ruído que se seguiu ao anúncio, a reabertura vale até a próxima quarta-feira (22), quando termina o período de cessar-fogo. Empresas de transporte naval seguem incertas sobre a segurança para enviar seus navios à área. Negociações mediadas pelo Paquistão vão ocorrer neste fim de semana para EUA e Irã tentarem chegar a um acordo de paz mais duradouro.
O alívio apareceu de forma mais tímida no mercado doméstico. O dólar oscilou 0,19% para baixo e renovou a mínima em dois anos, a R$ 4,983. O desempenho do principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), o Ibovespa, descolou-se dos demais indicadores de ações mundiais. O indicador caiu 0,55%, para 195,7 mil pontos.
Assim como o barril nas alturas impulsionou o Ibovespa às máximas históricas, a queda da cotação dessa matéria-prima o fez murchar. O Brasil é exportador líquido de petróleo – ou seja, quando esse produto está mais caro, o país recebe mais recursos, e o real e a bolsa tendem a valorizar.
Os índices globais de ações avançaram por conta da redução das incertezas na guerra no Oriente Médio, sobretudo em relação ao temor de que o conflito mantivesse os juros altos pelo mundo, se não os fizesse subir. O choque de petróleo pressiona os preços de combustíveis a produtos menos óbvios, como roupas, maquiagem e embalagens. E como se sabe, o remédio para inflação costuma ser taxa mais alta.
Os principais índices de ações dos EUA subiram mais de 1%, com o S&P 500, indicador mais abrangente da bolsa de Nova York, e Nasdaq, de empresas de tecnologia, renovando recordes. Similares europeus também fecharam em alta.
*Colaborou João Pedro Cecchini





