
Depois de bater o recorde real durante o dia, em 199 mil pontos, o principal índice da bolsa de valores do Brasil (B3), o Ibovespa, não sustentou, ao longo desta terça-feira (14), o maior patamar da história corrigido pela inflação desde 2008. Ainda assim, fechou em alta de 0,33%, para 198.657, a apenas 295 da quebra do recorde real. Ficou só em novo topo nominal histórico. O dólar oscilou 0,07% para baixo, para R$ 4,993, e renovou a mínima em dois anos.
Embora a variação tenha sido pequena em relação ao dia anterior – o que seria sinal de estabilidade –, houve forte volatilidade ao longo do dia. Em declaração ao jornal The New York Post, o presidente Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã "podem acontecer nos próximos dois dias".
A expectativa positiva com o fim do conflito mexeu com o preço do petróleo. Às 17h, a cotação do barril do tipo brent, referência internacional, alcançou US$ 95,15, resultado de queda de cerca de 4% ante a véspera. Isso empurrou para baixo as ações da Petrobras, que caíram cerca de 4% e ajudaram a adiar o fechamento acima do recorde real. Até o relatório do Fundo Monetário Internacional com piora nas projeções para crescimento da economia mundial mas melhora no Brasil embalou as negociações.
Embora seja representado por pontos, que não parecem ser afetados pelo tempo, o Ibovespa é formado pelos preços das ações que o compõem. Corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até março, dado oficial mais recente, o maior nível da história, registrado em 20 de maio de 2008, seria de 198.951 pontos em termos reais.
No Brasil, ao menos no curto prazo, há uma leitura de que o país pode se beneficiar do preço do petróleo nas alturas por ser exportador líquido dessa matéria-prima. O fim da guerra também tende a levar mais recursos a ativos considerados arriscados, como os brasileiros. Em 2026, a entrada de investidores estrangeiros somou R$ 67,4 bilhões até 10 de abril, último dado disponível.
Recorde real em 2008
O recorde superado pela bolsa parece estranho, por ter ocorrido em um ano de crise financeira global. Mas foi o que aconteceu: o Ibovespa chegou à máxima real em 2008 quando o chamado superciclo das commodities (matérias-primas básicas, como soja, petróleo ou carne, produzidas em larga escala no Brasil) atingiu seu ápice. Logo depois, a bolha imobiliária nos EUA estourou, e a bolsa brasileira terminou o ano com queda de 41,2% na pontuação nominal.
*Colaborou João Pedro Cecchini





