
Em março, o preço do petróleo teve a maior alta mensal da história: 64%. Essa conta fechou no dia em que o mercado financeiro, nos EUA e no Brasil, passou a apostar no fim da guerra no Irã, responsável por essa disparada inédita. Os sinais do "day after" estão longe de ser conclusivos, mas ainda assim os investidores, tanto americanos quanto brasileiros, parecem manter suas convicções. Os diversos índices da bolsa de Nova York e a Nasdaq seguem em alta, e por aqui, há novas doses de otimismo no câmbio e na negociação de ações.
Com certa frequência, o mercado financeiro se descola da economia real – para não dizer da realidade. Mas não costuma rasgar dinheiro. Mesmo o mais otimista dos apostadores no fim do conflito sabe, a essa altura, que o petróleo não vai devolver os 64% dessa alta mensal nunca vista da noite para o dia. Se é que algum dia vai devolver tudo.
Se a guerra acabar nesta semana – ou nas duas próximas, conforme o último aceno de Donald Trump –, o preço cairá, mas não deve voltar tão cedo aos US$ 60 em que trafegou durante quase todo o ano passado. Em primeiro lugar, será preciso guardar "gordura" para bancar o conserto dos danos a instalações petrolíferas no Golfo Pérsico, estimados em US$ 25 bilhões. Em segundo, agora que o Irã fechou mesmo o Estreito de Ormuz, as cotações devem passar a refletir esse risco de forma duradoura, se não permanente.
Na guerra cercada de ataques e contra-ataques verbais, nesta quarta-feira (1º) a situação segue tão incerta quanto antes de o mercado comprar a tese de que caminha para o fim. Menos de 24 horas depois de dizer que, se os países que dependem do abastecimento de Ormuz querem o estreito aberto, que vão à luta – literalmente, no caso – por si próprios, agora Donald Trump afirma que o conflito só termina depois que a passagem de navios for permitida.
Assim como "esqueceu" da importância estratégica de Ormuz, parece ainda não ter sido informado de que o canal é essencial, por exemplo, para a logística do abastecimento global de chips. Não só os que saem da produção de Taiwan para o mundo, mas todos os que dependem da produção de gás hélio do Catar para resfriar a elaboração dos semicondutores.





