
Na semana passada, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que não há auditoria ou sindicância interna que aponte suspeita sobre a conduta de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição, no tratamento do Banco Master, liquidado em 17 de março. A declaração à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado contrariou uma das estratégias eleitorais do PT, que tenta responsabilizar a gestão na qual o escândalo Master floresceu.
Daniel Vorcaro, que deve apresentar proposta de delação premiada nesta semana, virou banqueiro em outubro de 2019, quando o BC mudou a avaliação sobre o negócio e aprovou a compra de outra instituição com problemas financeiros, a Máxima.
Na gestão anterior à de Campos Neto, a operação havia sido vetada. Quem comandava o BC na época era Ilan Goldfajn, indicado pela gestão Michel Temer. Indicado pelo governo Bolsonaro – mais especificamente, pelo seu ministro da Economia, Paulo Guedes, Campos Neto assumiu em fevereiro. Em outubro, o BC enfim aprovou a transformação de Vorcaro em banqueiro.
Um dos funcionários afastados do BC por indícios de atuar em favor do Master, Paulo Sérgio Neves de Souza, foi diretor de Fiscalização na gestão de Campos Neto, mas havia sido indicado ao cargo em 2017, ainda na gestão de Goldfajn. Para lembrar, conforme a Polícia Federal (PF), Neves de Souza e Belline Santana, que era chefe de Supervisão Bancária, atuavam como "empregados/consultores" de Vorcaro.
Campos Neto pode ajudar a explicar o que ocorreu no período que separa a tentativa de Vorcaro de virar banqueiro do sucesso da empreitada. Mesmo na gestão atual, o BC continua se recusando dar detalhes sobre as condições da compra e o que mudou entre a rejeição e a aprovação da compra do Máxima. Sem prestar esclarecimentos – não a qualquer CPI, mas à sociedade –, Campos Neto alimenta ilações sobre o caso. Ao detalhar esses processo, ajudaria a fechar eventuais brechas a candidatos a Vorcaro.



