
Dos cerca de 1,5 mil produtos exportados do RS para a União Europeia (UE), em torno de 500 vão passar a ter imposto zero para entrar no bloco europeu a partir desta sexta-feira (1º), quando o acordo com o Mercosul começa a valer provisoriamente. O levantamento é da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).
Entre os bens que têm tarifa de 2,5% a 5,5% hoje e ficarão isentos logo no primeiro dia de vigência do tratado de livre-comércio, aparecem produtos relacionados aos segmentos coureiro-calçadista, petroquímico e de autopeças (veja lista abaixo). A eliminação de taxa deixa os produtos gaúchos mais baratos para os europeus, o que abre a possibilidade de aumentar as vendas.
Subprodutos da soja que podem servir para alimentar animais, segundo grupo de mercadorias mais enviado do RS para a UE em 2025, por US$ 437,9 milhões, já têm alíquota zero para entrar no mercado europeu, conforme a Fiergs. Outras 400 denominações já estão no grupo de isentos, o que significa que, a partir de sexta-feira, 900 produtos gaúchos ficam sem tarifa para entrar no bloco europeu. O tabaco, item da pauta de exportação gaúcha mais vendido à UE, terá imposto reduzido a partir de quatro anos.
Após 26 anos de negociações, Mercosul e UE assinaram acordo de livre-comércio no início deste ano. Apesar de o Parlamento Europeu ter enviado o texto do pacto comercial para análise do Tribunal de Justiça do bloco, o acordo passará a valer de forma provisória nesta sexta-feira, segundo decisão da Comissão Europeia. O tratado também teve de ser aprovado pelo Congresso de cada país do Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Segundo estimativas da Fiergs, ao longo dos próximos 15 anos, as exportações industriais gaúchas para a UE podem crescer em US$ 801,3 milhões, com potencial de resultar em acréscimo aproximado de 4,6% (R$ 31 bilhões) no PIB do RS. Em 2025, as vendas do Estado para o bloco europeu somaram US$ 2,8 bilhões, 13% do total embarcado ao Exterior.
Em todo o país, cerca de 5 mil produtos terão imposto de importação zerado na UE assim que o acordo com Mercosul entrar em vigor, 54,3% dos bens negociados, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O pacto prevê que o bloco europeu vai eliminar tarifas de 95% dos bens dos sul-americanos em até 12 anos. O Mercosul, por sua vez, vai zerar tarifas de 91% dos produtos importados em ritmo mais lento, de até 15 anos.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo





