
Até agora, nada funcionou. Os bombardeios ao Irã entraram na terceira semana, a defesa do país foi considerada "destruída" pelos Estados Unidos, mas Donald Trump foi obrigado a recorrer à ameaça depois de ter seu pedido de ajuda a aliados para permitir a navegação pelo Estreito de Orzum rejeitado por ao menos três países – Alemanha, Itália e Grécia – e recebido com frieza por outros aliados.
— Se não houver resposta ou se for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan — disse Trump em entrevista ao Financial Times publicada na noite de domingo (15).
Mesmo que Trump use ameaças com a mesma naturalidade com que dá "bom dia", parece desespero. Sempre é bom lembrar que a passagem não é fechada por um portão ou outro obstáculo físico. Os navios não cruzam porque o Irã já atingiu alguns e pode danificar qualquer um, tornando inviáveis os seguros que cobrem essas embarcações. No primeiro dia, a coluna se surpreendeu com o fato de os ataques terem sido precisos o suficiente para matar o então líder supremo, Ali Khamenei, mas não tinham conseguido neutralizar o poder de Irã sobre o estreito. Ou sequer moderá-los.
Da operação no Estreito depende o tamanho do impacto econômico da guerra. Conforme o jornal especializado The Wall Street Journal, executivos americanos da indústria do petróleo advertiram integrantes do governo Trump de que a manutenção do "fechamento" pode seguir pressionando os preços. Sem contar picos, a cotação do barril que é referência internacional está acima de US$ 100 por quatro dias seguidos.
Em entrevista a um canal americano no final de semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sustentou que a passagem está livre para muitos países:
— Está fechado apenas para os petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados.
Em uma sequência inesperada, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que mais petroleiros estão passando pelo Estreito de Ormuz. Bessent, apontado como o mais semelhante a um "adulto na sala" na atual configuração da Casa Branca, tentou dar aos EUA algum crédito:
— Estamos vendo mais navios de combustível começarem a passar. Os navios iranianos já estavam saindo, e deixamos isso acontecer para abastecer o resto do mundo. Vimos navios indianos saindo, acreditamos que alguns navios chineses também tenham passado.
Antes, porém, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, havia admitido ter discutido o trânsito de mercadorias diretamente com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Há uma citação muito antiga de que, em uma guerra, a primeira vítima é a verdade. No século em que as fake news se tornaram instrumento de disputa de poder, as narrativas precisam ser confrontadas com os fatos. E o fato é que o barril do petróleo segue acima de US$ 100.

