
No primeiro dia útil depois do ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã, o preço do petróleo chegou à máxima de US$ 81,50, mas na metade da manhã o preço do barril para entrega em abril está cotado a US$ 79,10. É uma disparada de 8,5%, como se temia, adicional à alta de 19,9% acumulada até a sexta-feira passada (28) desde 1º dejaneiro.
A alta decorre de dificuldades logísticas – navios petroleiros estão sendo atacados ao tentar passar pelo Estreito de Ormuz, caminho de cerca de 20% do total do petróleo que circula pelo planeta –, mas também de abalos na produção. Uma das maiores refinarias do Oriente Médio, chamada Ras Tanura, que pertence à petroleira estatal saudita Aramco e tem capacidade para produzir 550 mil barris por dia (bpd) foi atingida por um drone e fechada por precaução.
É óbvio que o comportamento dos preços vai depender da evolução do conflito. E os sinais desta segunda-feira (2) não são positivos: o Irã contradisse uma declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que estariam dispostos a negociar. Conforme Décio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), vê três cenários a partir deste momento, além da alta imediata nos preços.
Caso o regime dos aiatolás sobreviva, como até agora, a perspectiva é de manutenção de alta nos preços. Se a teocracia cair, há chance de alívio nas cotações, tanto porque significaria liberação do Estreito de Ormuz quanto porque sinalizaria elevação na produção iraniana no futuro. O cenário mais complexo é o de alongamento do conflito, com eventuais ataques a outras refinarias da região, como já ocorreu com Ras Tanura.
Além da refinaria da Aramco, há outras instalações petrolíferas já afetadas pelo ataque. Foram interrompidas as atividades na região do Curdistão no Iraque, que exportou cerca de 200 mil barris ao dia em fevereiro para a Turquia. Em Israel, foi fechado um grande campo de gás, chamado Leviatã, operado pela Chevron.
O que é o Estreito de Ormuz?
Localizado entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul, liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Em sua parte mais afunilada, tem 39 quilômetros de largura. Não parece tão pouco, mas a passagem de gigantes navios petroleiros exige grande profundidade. Por isso, só existem duas faixas de navegação, com três quilômetros de largura – uma para cada sentido da navegação.
Por que Irã tem o controle?
Por que boa parte do estreito fica na costa do país. O Irã comanda a parte norte do estreito, enquanto Omã e os Emirados Árabes são responsáveis pela parte sul, pelo mesmo motivo. As faixas por onde passam os navios comerciais são consideradas águas internacionais, segundo o direito internacional marítimo definido pela ONU. No papel, o Irã não poderia bloquear a passagem. Na prática, como os corredores de navegação são estreitos, deixam as embarcações na mira de mísseis e drones.
Não há alternativa?
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos construíram dutos para transportar parte de seu petróleo para exportação por rotas que evitem o estreito, mas a EIA estima que o volume capaz de contornar um eventual bloqueio seria de 2,6 milhões ao dia, pouco mais de 10% da quantia total que passar por Ormuz, ao redor de 20 milhões ao dia.



