
Ao contrário dos 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) que decidiram liberar 400 milhões de barris de petróleo de seus estoques estratégicos – sem grande efeito no preço –, o Brasil não tem volume de óleo cru guardado para enfrentar contingências como a atual guerra no Irã. O que existe é outro tipo de armazenamento, chamado de "operacional", focado em combustíveis e mantido pelas empresas – dado o perfil do mercado nacional, concentrado na Petrobras.
No final de semana, durante visita à refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação desse mecanismo não só para o petróleo como para alimentos e outros produtos nacionais não perecíveis. Disse que seria uma forma de "garantir soberania" em cenários de conflito ou instabilidade global". O próprio Lula reconheceu que a iniciativa custaria “muito caro”.
Mas ainda que fosse vencido o desafio de minerar recursos no orçamento constantemente deficitário da União e houvesse um pesado investimento para manter estoque estratégico de petróleo, isso seria capaz de segurar os preços dos combustíveis no Brasil?
Para que tivesse efeito no preço dos combustíveis, a já cara montagem da infraestrutura para manter os estoques de petróleo, seria preciso também aumentar a capacidade de refino de diesel dentro do país. A dependência de importação de cerca de 30% nesse tipo de combustível no Brasil está mais relacionada a essa restrição do que à indisponibilidade de matéria-prima.
É bom lembrar que a mobilização de um grande volume dos estoques estratégicos teve efeito muito relativo no preço do petróleo.
Um governo com efetivo compromisso com contas equilibradas poderia, sim, direcionar parte dos ganhos fiscais com a alta do petróleo – estimados em R$ 26 bilhões a cada 10% de aumento no barril – poderia formar um fundo com parte dessa arrecadação e direcionar da forma mais eficiente. Parte dos economistas e especialistas em petróleo é cética sobre a possibilidade de sucesso. Mas Lula citou a única "reserva" que segue intocada: a cambial, com duas décadas de sucesso.



