
A manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, dilui a tese conspiratória de que um "acordão" havia sido feito para libertar o ex-banqueiro e aliviar a pressão sobre agentes públicos da esquerda à direita. Ainda falta um voto, mas ainda que haja um voto contrário, o resultado não mudará. Se decidisse de forma diferente, o Supremo Tribunal Federal (STF) corria o chamado "risco existencial", ou seja, reforçaria os discursos extremistas de que a instituição é desnecessária ou precisa ser refundada.
Por outro lado, a decisão anima outra tese, que se não é conspiratória é bastante especulativa: a de que o aparente titular de uma organização mafiosa pode recorrer a uma delação premiada para reduzir sua pena. Há dúvidas fundadas se Vorcaro é ou não o "capo di tutti capi". Mas ainda que seja, contrariando o princípio do mecanismo, que é alcançar o topo do criem, uma delação bem costurada pode ser benéfica ao Brasil, desde que seu preço não seja liberdade ao ex-banqueiro.
Caso ocorra, seu foco deveria ser a exposição de todos os agentes públicos que agiram de forma criminosa para ajudar a construir os tentáculos do Master. E com ou sem delação, é preciso que o foco da investigação esteja na recuperação das perdas para os cofres da União, de Estados e de municípios via sequestro dos bens do "empresário".
Vorcaro roubou dinheiro privado, mas também o dos pagadores de impostos. Provocou perdas específicas ao banco público de Brasília, o BRB, genéricas aos que contribuem para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como o Banco do Brasil. Também causou prejuízo a pelo menos 18 fundos de previdência de servidores. Ao que tudo indica, tudo com a cumplicidade de agentes públicos.





