
Mesmo depois da montanha-russa nos preços entre a noite de domingo (8) e a de segunda-feira (9), o preço do petróleo segue no nível de US$ 90 nesta manhã de terça-feira (10). A alta acumulada ao redor de 25% em apenas duas semanas estende essa volatilidade (sobe e desce) a vários outros indicadores, como bolsas e preços de ações. No entanto, a cotação do dólar em reais parece inabalável: no final da manhã, oscila 0,14% para baixo, a R$ 5,154, abaixo de R$ 5,20.
Para entender essa inusitada situação, é preciso considerar a nova posição do Brasil na geopolítica do petróleo depois da descoberta e exploração do pré-sal. Conforme a Agência de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), o Brasil é o sétimo maior produtor de petróleo do mundo (confira aqui). E a diferença é pequena em relação ao sexto, o Iraque: 4,42 milhões de barris por dia (bpd) para os iraquianos, 4,24 bpd para os brasileiros.
No ano passado, o Brasil exportou 98,2 milhões de toneladas de petróleo por US$ 44,5 bilhões. E importou 12,1 milhões de toneladas por US$ 6,6 bilhões. A matéria-prima fóssil foi o principal produto de exportação do Brasil, com 12,8% do total. E rendeu um superávit de US$ 37,9 milhões na balança comercial. Isso define um país exportador líquido de petróleo. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento (Mdic).
Depois de os brasileiros virarem "sultans of soybeans" quando a produção agrícola surpreendeu com ul salto na atividade econômica, ao menos no Exterior está estabelecida a imagem como também "sultans of oil". Estão abaixo do Brasil no ranking da EIA dos maiores produtores países como Emirados Árabes Unidos, o próprio Irã e Kuwait. Essas relações têm pequenas variações entre si, mas o Brasil é presença obrigatória nos 10 primeiros em todas.
Essa posição confere ao Brasil a capacidade de obter mais dólares com a venda de petróleo quando a cotação do barril sobe. É essa âncora cambial que segura o real mesmo quando outras moedas oscilam com força diante das incertezas oferecidas por Donald Trump. Na véspera, o mercado "comprou" a promessa de que a guerra estaria perto do fim. Nesta terça-feira (10), o secretário "da Guerra" dos EUA, Pete Hegseth, afirma que "não vamos ceder até que o Irã seja derrotado".





