
A nova crise do petróleo, como a coluna vem relatando, tem impacto ambivalente para o Brasil. Por um lado, o país tem pontos fortes, como o fato de ser o sétimo maior produtor do planeta e exportador líquido de petróleo. De outro, os elos frágeis são uma cadeia produtiva descoordenada e falta de planejamento estratégico para enfrentar o problema.
Nesta quinta-feira (19), ao detalhar o impacto do novo choque, Pedro Schneider, economista do Itaú Unibanco, fez uma estimativa mais precisa da parte dos ganhos: a cada 10% de alta no preço do petróleo, o Brasil ganha R$ 26 bilhões. Essa é a face que a coluna chama de "sultan of oil". A projeção veio, claro, cheia de advertências.
— O choque do petróleo é positivo para o fiscal, mas é um efeito estático, só nas receitas, não é líquido positivo, até porque não se sabe que outras medidas podem ser tomadas, mesmo que temporárias — alertou Schneider, especializado na análise de efeitos externos sobre a economia brasileira.
O Brasil "ganha" com o choque por ser exportador líquido de petróleo – no ano passado, o Brasil exportou US$ 44,5 bilhões da matéria-prima fóssil e importou US$ 6,6 bilhões, com superávit de US$ 37,9 milhões só nesse produto. Na avaliação de Schneider, a medida já anunciada pelo governo foi "fiscalmente equilibrada", ou seja, tem compensação para a tentativa de suavizar o impacto da alta do petróleo.
— Mas o choque não vai resolver o problema fiscal do Brasil. Sem controle do gasto, não vai ter juro baixo de forma sustentável — alertou.
Feitas essas ressalvas e mais uma – a de não entrar no mérito se o governo deve ou não suavizar o impacto –, Schneider disse considerar razoável pensar em um mecanismo de estabilização do preço dos combustíveis com base nesse ganho. Nesse caso, também com advertências:
— Pode ser importante nesses momentos, mas é preciso ser montado de forma muito transparente. No Brasil, há o cacoete do "orçamento secreto". É preciso deixar muito claro o quanto gastou, o quanto ganhou, especialmente em um cenário fiscal desequilibrado e com juro alto.




