
A expectativa era de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fizesse, na próxima quarta-feira (18), o primeiro corte no juro básico que assinalaria um ciclo de baixa. Seria o começo do fim do choque monetário iniciado em dezembro de 2024, depois de uma decolagem que havia levado o dólar acima de R$ 6. No meio do caminho, não havia só uma pedra: surgiu uma guerra que fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz e levou o preço do petróleo para US$ 100.
O governo Lula anunciou medidas para evitar que o efeito da guerra chegue à "salada de alface". Conseguiu evitar passar toda a alta para os preços dos combustíveis, contendo o reajuste do diesel – que ainda depende de importação para abastecer o consumo interno –, em 11,6%. É pouco para a alta acumulada do petróleo ao redor de 40%, mas é o suficiente para levantar dúvida sobre a trajetória declinante da inflação, condição necessária para garantir o ciclo de baixa.
Quando escancarou a porta para o ciclo de baixa, o Copom usou estes termos: "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta". Essa frase foi escrita em 28 de janeiro, quando o petróleo estava em US$ 66,74. Ou seja, não se confirmou o cenário esperado.
Por isso, agora as expectativas sobre o resultado da reunião de quarta-feira (18) mudaram de forma drástica. O corte de 0,5 ponto, antes considerado quase certo, virou aposta minoritária. Passaram à frente as projeções de um corte de 0,25 ponto e não se duvida nem de manutenção da taxa básica atual. No curto prazo, a estratégia do governo para em pé, com renúncia fiscal de R$ 30 bilhões para expectativa de receita ao redor de R$ 27 bilhões.
Caso o tráfego no Estreito de Ormuz fique bloqueado ao longo do ano, será difícil manter o mecanismo que atenua o tamanho do repasse da alta do petróleo ao consumidor final Mesmo que o presidente dos EUA, Donald Trump, seja o principal interessado no fim da guerra, que aumenta a inflação de forma imediata para os americanos, suas decisões têm passado longe da racionalidade.
Nesta segunda-feira (16), o Relatório Focus do BC, que reúne as expectativa de uma centena de economistas, mantém a expectativa de Selic em 12,25% no final de 2026. É otimista, inclusive porque a projeção de IPCA subiu de 3,91% para 4,1% no final do ano. Contando a da próxima quarta-feira (18), ainda há sete reuniões até dezembro. A um ritmo de corte de 0,5 ponto cada, seriam necessárias seis – uma com poda limitada a 0,25 ponto – para chegar lá.



