
As cobranças por explicações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre a natureza de suas relações com o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, já começaram a fazer algum efeito. Tanto Moraes quando sua esposa, Viviane Barci, passaram a emitir notas com suas versões dos fatos. Nesta segunda-feira (9), Viviane admitiu pela primeira vez que seu escritório tinha contrato com o banco em liquidação.
Em nota, afirmou que o contrato vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025. Além de uma equipe própria de 15 advogados, contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação. Relata, ainda que teria feito 94 reuniões de trabalho e 36 pareceres jurídicos, sem atuar perante o Supremo Tribunal Federal (STF) em nome Master.
Moraes, por sua vez, vem emitindo notas dedicadas a negar sua proximidade com Vorcaro. Só que o conteúdo gerou mais dúvida do que tranquilização. O ministro deveria aprofundar as explicações porque a suspeita que o cerca é fundada na forma de operar do ex-dono do Master. No caso específico, o que críticos de Moraes sugerem é que os serviços do ministro é que seriam remunerados pelo contrato com o escritório de Viviane.
Com notas que escondem mais do que revelam, Moraes amplia o alvo desenhado em sua toga. Não surpreende que, segundo o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), já tenham sido colhidas as 27 assinaturas necessárias para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a atuação de de Moraes e de seu colega Dias Toffoli no escândalo Master.
Se ainda há poucas certezas sobre a conduta de Moraes, há muitas sobre Toffoli, que produziu provas contra si mesmo nos meses em que esteve na relatoria do caso. Neste início da semana em que deve começar o julgamento da prisão de Vorcaro, o ex-relator mantém a posição de não se declarar suspeito ou impedido para participar da decisão.
Investigar condutas sobre as quais há suspeitas significa respeitar a instituição do STF. Desrespeitoso seria aceitar suposições de desvios tão gritantes que desinstitucionalizam a Corte. O STF foi essencial para barrar um plano de golpe no Brasil. O país deve manter gratidão eterna por isso. Agora, é preciso garantir que, em caso de ser novamente chamado à responsabilidade, tenha a imagem de respeito necessária para ser bem-sucedido.




