
Com movimento diferente do que mantinha desde segunda-feira (2), primeiro dia útil depois da depois da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o petróleo acelerou a alta ao longo do dia. No final da tarde desta sexta-feira (7), dispara 8,7%, para US$ 93, maior cotação desde abril de 2024, há quase dois anos. Está em patamar acima do projetado por efeito da guerra no início da semana, entre US$ 75 e US$ 85.
Analistas apontam que há uma caça aos barris disponíveis, porque a oferta do Oriente Médio está limitada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. Esse "fechamento", é bom lembrar, é simbólico, não físico. Desde o ataque iraniano a um petroleiro americano ainda no Golfo Pérsico, o que se tornou intransponível é o risco de navegar nesse corredor. Com isso, a semana marcou a maior alta semanal desde a volatilidade extrema que se seguiu à pandemia de covid-19, no início de 2020: 27% foi o acumulado de segunda a sexta na cotação do barril do tipo brent.
No Brasil, dólar e bolsa acionaram o modo cautela antes do final da semana. O dólar chegou a ser cotado a R$ 5,321, mas inverteu a direção e fechou com queda de 0,81%, para R$ 5,244. A bolsa caiu 0,6%, perdendo o patamar de 180 mil pontos (179,3 mil). Para amortecer a queda, contou, outra vez, com a alta das ações de Petrobras e outras petroleiras privadas, como Prio e Brava. No caso da estatal, a subida ocorreu também pela reação positiva ao balanço de 2025 apresentado na véspera, em que a companhia mostrou fluxo de caixa livre de R$ 19,34 bilhões.
A baixa do dólar e a alta das ações da Petrobras têm conexão: no ano passado, as exportações de petróleo da estatal bateram recorde, com 765 mil barris por dia, 27,1% acima de 2024. Ser a moeda de um país vendedor líquido de petróleo ao mundo nesse momento separa o real do restante das moedas de países emergentes.
Ainda na quinta-feira (5), a Federação Internacional dos Trabalhadores e as principais empresas de navegação classificaram como "zona de conflito" todo o corredor – o Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico (ao norte) e o Golfo de Omã (ao sul). Isso dá aos marinheiros o direito de recusar o embarque, a possibilidade de repatriação às custas do armador (dono no navio), bônus e subsídios. A estimativa é de que haja cerca de mil navios bloqueados no Estreito de Ormuz, metade dos quais dedicados ao transporte de petróleo e gás.



