
Se a reação havia sido relativamente contida no primeiro dia de funcionamento do mercado financeiro depois do ataque de Israel e Estados Unidos contra o Irã, o segundo reflete o tamanho da incerteza que o conflito dissemina. A cotação do petróleo disparou outra vez, atingiu máxima de US$ 84,98 pela manhã, mas no final da tarde voltou a moderar a elevação em 4,3%, para US$ 81,13. Isso significa alta acumulada de 11% em apenas dois dias. A bolsa ICE, que concentra os contratos de entrega futura de petróleo, experimenta uma jornada com muita variação nas cotações.
Com esse comportamento do principal combustível consumido no planeta, o dólar subiu 1,9%, para R$ 5,265. Durante o dia, chegou a R$ 5,344. Como até poucos dias não era o o real que se apreciava, era o dólar que murchava, agora vale o inverso: é a moeda americana que ganha ante denominações tão diversas quanto o won da Coreia do Sul (-3,3%), o forint da Hungria (-2,9%).
Na bolsa, desta vez não houve alta nas ações da Petrobras, que na véspera seguram o fechamento em terreno positivo. O Ibovespa despencou 3,28%. O mesmo ocorreu na Europa: a bolsa de Madri desabou 4,55%, com a ameaça de Donald Trump de interromper todo o comércio dos EUA com a Espanha, que se recusou a apoiar os ataques ao Irã. Milão desabou 3,92%, Paris, 3,46% e Frankfurt, 3,44%. Em Wall Street, o tom de vermelho ficou mais suave, com quedas de 0,9% a 1,8%.
Os juros futuros voltaram a ter alta significativa, como na véspera, em sinal de que o mercado absorve a ideia de que o ciclo de baixa da Selic deve mesmo ao menos ser mais curto, como havia projetado na segunda-feira o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. A alta acumulada no petróleo, se mantida por algum tempo, vai exigir que a Petrobras reajuste os preços dos combustíveis no Brasil, pressionando a inflação.
A entrada de investidores estrangeiros na bolsa brasileira para compra de ações já listadas (sem contar ofertas iniciais) somou R$ 15,4 bilhões em fevereiro. Foi o maior valor acumulado nessa atividade para o mês desde 2022, quando chegou a R$ 20,6 bilhões. Os dados foram publicados nesta terça-feira pela B3. Nos dois primeiros meses do ano, o aporte externo na bolsa alcançou R$ 41,7 bilhões.
*Colaborou João Pedro Cecchini

