
A reabertura do mercado de petróleo neste domingo (8) foi um choque: a superdisparada ao redor de 16% levou a cotação do barril a perto de US$ 108. Isso significa que, do início da ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã até esta noite, há aumento acumulado de 48%. Isso torna inevitável um repasse para a gasolina e o diesel no Brasil por parte da Petrobras. É possível que, ao longo da segunda-feira, a pressão se modere, como já ocorreu antes. Mas sem trégua ou acordo no conflito, não terá grande alívio.
É óbvio que o reajuste não será dessa magnitude, porque desorganizaria as cadeias produtivas nacionais. A estatal tem capacidade de equilibrar as contas sem um aumento tão pesado porque, afinal, o Brasil é quase autossuficiente na produção de petróleo. Quase todo o consumo nacional é abastecido pelo petróleo do pré-sal. A maior dependência segue no diesel, porque a capacidade de refino dentro do país é inferior à demanda.
Nos últimos anos, com a aceleração da produção no pré-sal, o Brasil se tornou exportador líquido de petróleo. Isso significa que vende mais do Exterior do que compra. No ano passado, as exportações de petróleo da estatal bateram recorde, com 765 mil barris por dia, 27,1% acima de 2024. Assim, os custos da Petrobras sobem, mas seu ganhos com a venda de óleo também.
O que constrange a Petrobras a repassar o aumento é o fato de toda a cadeia do petróleo ser referenciada no preço internacional. Isso significa que navios e equipamentos que a estatal tem de comprar vão variar na mesma proporção.
E com toda a especulação que já existe, de reajustes "preventivos" à retenção de estoques à espera do repasse, é melhor ter um parâmetro de formação interna de preços do que deixar agentes cuidarem de seus interesses sem qualquer mediação.
A superdisparada é atribuída à combinação entre o fato de o Estreito de Ormuz seguir fechado, pelo risco associado, e a redução na produção dos países do Oriente Médio. Sem poder escoar o petróleo extraído pela passagem, os produtores param a extração por falta de capacidade de armazenamento.



