
O primeiro dia de funcionamento do mercado financeiro depois do ataque de Israel e Estados Unidos contra o Irã foi como se esperava. Depois de tocar US$ 81, o preço do petróleo se moderou para US$ 77,74, resultado de alta de 6,68%. Como a incerteza voltou a marcar as operações, o dólar também avançou 0,62%, para R$ 5,166 – ainda sem voltar ao patamar de R$ 5,20. Para uma guerra que pode levar ao menos quatro semanas, conforme o presidente dos EUA, Donald Trump, foi uma reação contida.
O mais surpreendente foi a reação da bolsa. Depois de abrir em baixa, virou o sinal e subiu 0,28%, para 189,3 mil pontos. O que ajudou foi a forte valorização das ações da Petrobras, que dispararam cerca de 4,6% com o petróleo. O efeito no Ibovespa se deve ao fato de as ações da petroleira terem o terceiro maior peso (por volta de 6%) na formação do principal índice da B3.
O novo cenário também afetou os juros futuros, que tiveram alta significativa. Na sexta-feira (28), o IPCA-15 mais alto do que o previsto havia moderado o entusiasmo com o corte de juro previsto para daqui a duas semanas. Com a insegurança sobre a extensão do conflito e a alta imediata do petróleo, aumentou a inquietação sobre a inflação.
Pela manhã, em um evento do jornal Valor Econômico, o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron – candidato a número 2 do Ministério da Fazenda quando Fernando Haddad conseguir deixar o cargo –, disse que o conflito não deve ter efeito relevante na política monetária. Mas admitiu que pode encurtar o ciclo de cortes da Selic.
*Colaborou João Pedro Cecchini






