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Agora que o presidente Donald Trump precisa de um motivo para acabar com a guerra, o Irã não ajuda a criar a narrativa de vitória que permitiria esse desfecho. Na madrugada de quinta, o preço do petróleo voltou para a casa de US$ 100 por cerca de três horas, mas no início desta manhã baixou dessa barreira psicológica, cedeu, mas voltou a tocar os três dígitos por volta das 12h30min no Brasil.
É significativa a diferença na reação do mercado. A promessa de liberação de 400 milhões de barris feita pelos 32 países da Agência Internacional de Energia (EIA) não mexeu com a cotação da matéria-prima. Mas houve alta depois de novos ataques do Irã a navios no entorno do Estreito de Ormuz, que foi declarado "fechado" sob ameaça dessa consequência. Há relatos de ao menos 13 navios já danificados pelo Irã.
Depois de sofrer os primeiros ataques, no dia 28 de fevereiro, o Irã vem usando uma estratégia que não tem objetivo apenas bélico. É intenção declarada do regime provocar caos econômico para pressionar pelo fim antecipado dos ataques, a chamada "Estratégia Mosaico". Além de navios, a Guarda Revolucionária tem atacado bases militares e embaixadas dos EUA no Oriente Médio, incluindo áreas no Qatar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Atingiu até uma refinaria na Arábia Saudita.
Tudo indica que esse comportamento surpreendeu EUA e Israel. Apareceram até porta-vozes iranianos que usam a mesma tática verbal de Trump, a bravata.
— Preparem-se para o petróleo chegar a US$ 200 por barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram — afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano, na quarta-feira, antes que a cotação voltasse para o nível de US$ 100 ao menos por algumas horas.
Antes, Ali Fadavi, porta-voz do comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, havia dito que EUA e Israel deveriam se preparar para o risco de uma guerra de desgaste:
— Uma guerra de longo prazo que destruirá a economia americana e toda a economia mundial e fará com que todas suas capacidades militares se esgotem até o ponto da destruição.
Apesar dos óbvios exageros, dada a limitada capacidade militar do Irã, o que se deduz dessas declarações é que o impacto econômico desta guerra não é apenas um efeito colateral. Faz parte da contraofensiva.


