
O que se conhece até agora das informações dos oito celulares do ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, é estimado em pouco mais de 10% do total. Corresponde ao trabalho feito desde que a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) passou de Dias Toffoli para André Mendonça. Nesta terça-feira (10), estava prevista um audiência do ex-banqueiro preso à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A sessão foi, obviamente, cancelada.
Sem contar a complexa operação de segurança que representaria a manutenção da agenda, por que Vorcaro diria espontaneamente o que pode negociar em um eventual acordo de delação premiada? A probabilidade da hipótese é tão volátil quanto o preço do petróleo nestes dias. Já teve altas e baixas e ainda é considerada pouco plausível, mas não sai das discussões sobre o escândalo.
Em tese, o mecanismo da delação se aplica a implicados que possam apontar o topo da organização criminosa. Até agora, é Vorcaro que tem esse papel. No entanto, essa não é uma avaliação unânime. No mercado financeiro, circula a interpretação de que os instrumentos usados na construção da "maior fraude bancária" do Brasil são sofisticados demais para o perfil do ex-banqueiro, ainda que ele seja graduado em Administração e tenha um MBA no Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec).
Até agora, são apenas especulações, embora existam fios que conectam o Master a outros negócios, caso do polêmico empresário Nelson Tanure, que já foi alvo de busca e apreensão por ser um suposto "sócio oculto".
Mas se o esquema mafioso montado por Vorcaro não houver outro "capo", ainda assim uma delação premiada valeria seu preço – uma redução da pena do ex-dono do Master – se permitisse identificar todos os agentes públicos envolvidos no esquema e, principalmente, recuperar parte dos prejuízos provocados aos pagadores de impostos no Brasil.





