
A maioria das especulações passou a se focar sobre o que pode ocorrer agora que a delação premiada de Daniel Vorcaro se tornou mais provável. A mudança na equipe de advogados converteu até o mais renitente negacionista da hipótese, mas é preciso considerar também o que não pode acontecer como possível resultado desse movimento.
Especula-se que o novo time de defesa ambiciona uma redução de pena de até dois terços do total, no mais que esperado caso de condenação, ou até perdão total. Se a sentença tiver várias décadas, a redução seria até negociável, se for efetiva. Mas dados os estragos provocados por Vorcaro, especialmente para os pagadores de impostos, ele não pode sair desse enredo com poucos anos de cárcere.
É preciso lembrar que a Polícia Federal (PF) já tem muitos indícios para responsabilizar cúmplices e favorecedores – e deverá ter incontáveis quando terminar a análise dos celulares. Para se tornar razoável, é preciso que dê informações realmente novas. E garantir que eventuais revelações não sejam apenas produto de vendetta ("vingança", para manter a nomenclatura mafiosa que parece se adequar ao caso).
Outra condição essencial é, como a coluna já observou, recuperar ao menos parte das perdas provocadas pela atuação de Vorcaro aos cofres públicos. Dada a principal característica de suas operações, que era multiplicar valores de forma totalmente artificial, será difícil chegar perto do patamar de muitas dezenas de bilhões que o autoproclamado "outsider" provocou ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a fundos de pensão e a bancos públicos como o Banco de Brasília (BRB).
Nesta segunda-feira (16), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, reagiu a uma decisão da Justiça que impede a venda de terrenos públicos para capitalizar o banco dilapidado por Vorcaro.
— Pena que essas pessoas querem ver o BRB quebrar única e exclusivamente para fazer política.
Quem será que deixou o BRB correr o risco de quebrar?



