
As exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos caíram 31,3% em fevereiro, último mês em que os produtos brasileiros pagaram tarifaço de 50% para entrar no mercado americano. Dados publicados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que, nesse período, as vendas somaram US$ 108 milhões ante US$ 157,2 milhões em fevereiro do ano passado.
A Suprema Corte dos EUA considerou ilegais as tarifas que o presidente Donald Trump aplicou a outros países com base na Lei de Emergência Econômica (Ieepa). Desde o último dia 24, o que vale é a taxa global de 10%, que deve subir ainda nesta semana para 15%, como afirmou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na quarta-feira (4). Também seguem em vigor as chamadas "tarifas setoriais", que atingem sobretudo bens ligados aos setores de madeira (10%), móveis e automóveis (25%) e aço e alumínio (50%).
Em nível nacional, as exportações para os EUA diminuíram de US$ 3,2 bilhões, em fevereiro de 2025, para US$ 2,5 bilhões, no mesmo mês deste ano, queda de 20,4%.
O efeito da redução de 40 pontos percentuais na taxação sobre produtos brasileiros não apareceu, porque empresas ainda buscam reconquistar os clientes americanos depois de seis meses de barreira comercial mais elevada. No acumulado desse período, os embarques do RS para os EUA reduziram 36,5%.
Os envios de transformadores do RS para os EUA, que duplicaram no ano passado, inverteram o sinal e despencaram à metade (-47,8%) em fevereiro de 2026, de US$ 28,9 milhões para 15,1 milhões. Empresas com unidade no Estado também venderam menos armas e munições (-69,8%), madeira (-58,4%) e calçados (-16,7%).
O RS terminou fevereiro com saldo comercial positivo de US$ 414,1 milhões, 24,5% menor do que o resultado verificado no mesmo mês do ano passado.
*Colaborou João Pedro Cecchini


