
A inquietação com o impacto econômico da ofensiva de Estados Unidos e Israel ao Irã fez o presidente Donald Trump recorrer a uma medida tão drástica quanto irônica: a suspensão temporária de sanções sobre o petróleo russo. É dramática porque a punição havia sido adotada para tentar forçar a Rússia a negociar o fim da invasão da Ucrânia. E irônica porque a relação entre Trump e Vladimir Putin é alvo de especulações, já que o russo parece imune ao "homem mais poderoso do mundo".
Mesmo assumindo o risco de mais um arranhão na imagem, a Casa Branca autorizou que, por 30 dias, a Rússia venda petróleo e derivados que estão retidos no mar. Conforme o secretário do Tesouro, Scott Bessent, seria "um passo para estabilizar os mercados globais de energia". Depois do anúncio, a cotação do barril se manteve perto dos USS 100, em uma amplitude que foi de US$ 102 a US$ 98.
O volume estimado das cargas russas isentas temporariamente das sanções é de 124 milhões de barris. É pouco mais de um dia de consumo global, que está por volta de 100 milhões de barris por dia (bpd). Mesmo somado aos 400 milhões liberados dos estoques estratégicos dos 32 países da Agência Internacional de Energia (AIE), seriam pouco mais de cinco dias.
No Estreito de Ormuz, surgiu uma pequena boa notícia: um navio-tanque com bandeira indiana cruzou a passagem com uma carga de gasolina para a África, conforme informações do governo da Índia.
— Algum petróleo está passando pelo estreito, mas isso não significa que ele será reaberto — disse Tamas Varga, analista de petróleo da corretora PVM, à agência Reuters.
No mercado, a informação é de que o petróleo russo já estava sendo comercializado, por isso a reação foi quase imperceptível. O que ainda domina as preocupações é o risco de a guerra se prolongar. Mais ainda, de que possa haver danos significativos à infraestrutura petrolífera, capazes de provocar perda permanente de abastecimento.
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