
No quarto dia da guerra aberta por Estados Unidos e Israel contra o Irã já acumula alta do petróleo ao redor de 15%. É um impacto que qualquer cidadão medianamente informado poderia prever – talvez não o percentual exato, mas já havia ocorrido disparada depois dos ataques a instalações nucleares iranianas.
Nos EUA, diferentemente do Brasil, os aumentos da matéria-prima são repassados de forma imediata aos postos de combustíveis depois da alta na cotação internacional. Não há período de cautela, como o mantido pela Petrobras no Brasil. Na segunda-feira (2), houve a maior alta de preços nos postos americanos desde a invasão da Ucrânia pela Rússia. E nesta terça, ocorreram novas remarcações.
Eleito com apoio do movimento Make America Great Again (Maga, sigla em inglês para Faça os EUA grandes outra vez) e a promessa de não fazer o que chamava de "guerras inúteis", Donald Trump enfrenta não só opositores. Com a ofensiva no Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio – mais do que previsíveis para quem tem as mais ambiciosas operações de inteligência do planeta –, personagens que ajudaram a obter o segundo mandato com quatro anos de intervalo passaram a criticar sua atuação.
Um deles é o ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson, que considerou "malignos" os ataques contra o Irã. Influenciadores ligados ao ativista Charlie Kirk, que sempre se opôs à guerra contra o Irã e foi assassinado em setembro de 2025, consideraram a operação "decepcionante". E já rompida com Trump, a ex-deputada Marjorie Taylor Greene falou em "traição":
— Votamos pela América em primeiro lugar, não por novas guerras.
Se a aventura do tarifaço com alíquotas de até 50% saiu barata do ponto de vista da inflação – os preços subiram, mas não tanto quanto se temia –, a ofensiva do Irã tende a pesar mais no bolso dos consumidores americanos. A guerra iniciada praticamente em março – no último dia de fevereiro – deve durar "de quatro a cinco semanas", conforme Trump.
Até a decantada habilidade de negociador de Trump está em xeque. Depois de mais de um ano no cargo, não obteve acordo com Venezuela, nem entre Rússia e Ucrânia, nem com Irã em tratativas regulares. Nesta terça-feira (3), o presidente dos EUA afirmou que, agora, o Irã quer negociar, mas é tarde demais. Já foi desmentido quando mencionou essa intenção logo depois dos primeiros ataques.
A sinalização de encerrar até abril evidencia a inquietação com um fator que pode elevar a já alta desaprovação popular do atual ocupante da Casa Branca. No final de maio, começa a chamada "drive season" nos EUA, o período em que se concentram as férias e viagens de carro, com maior volume de tráfego e maior consumo de gasolina, que se estende até o final de setembro. Se até lá o custo dos combustíveis não baixar, os críticos famosos de Trump serão um de seus menores problemas.




