
Os motivos para a segunda prisão de Daniel Vorcaro são "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa", conforme a Polícia Federal (PF). É apontada a uma "milícia privada" chamada “A Turma”, utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
Conforme o jornal O Globo, Vorcaro mandou uma mensagem a seu chefe de segurança, Luiz Phillipi Mourão, uma mensagem dizendo "esse lauro (com minúscula) quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". O "lauro" seria Lauro Jardim, colunista de O Globo.
Na véspera da medida, a liquidante do Banco Master havia revelado que o ex-banqueiro, familiares e ex-funcionários "se envolveram em uma série de esquemas fraudulentos para apropriação indébita de bilhões de reais (pelo menos US$ 1 bilhão) dos devedores". Conforme a petição feita pela EFB Regimes Especiais de Empresas no processo na Justiça dos Estados Unidos, parte dos recursos desviados foi usada na compra de uma mansão em Orlando (Califórnia, EUA).
O trabalho do liquidante aparece menos do que operações da PF ou disputas eleitorais em torno do caso, mas é mais importante, porque representa a chance de recuperar ao menos parte do que foi alvo de "apropriação indébita", como consta na petição. Traduzindo: roubo.
Também na véspera, o Banco Central (BC) havia autorizado o uso de recursos do depósito compulsório para recompor o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), assaltado pelo Master em cerca de R$ 50 bilhões. Em em depoimento à PF no início deste ano, Vorcaro afirmou que “o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC".
Além de desviar recursos de seu próprio banco e de "privatizar" o FGC, Vorcaro ainda provocou prejuízo estimado em R$ 1,9 bilhão a pelo menos 18 fundos de previdência de Estados e municípios.
Ainda causou perdas tão grandes a um banco público estadual, o Banco de Brasília (BRB), que seu atual presidente, Nelson de Souza, afirmou, na terça-feira (4), que "o fim do BRB pode gerar risco em todo sistema financeiro". Tentava vencer a resistência da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em aprovar o projeto que prevê uma injeção de dinheiro público de R$ 6,6 bilhões no banco, feito pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).
E com todo esse currículo, Vorcaro ainda se permite recusar um "convite" para depor a CPIs e comissões parlamentares em Brasília porque não pode usar seu jatinho no deslocamento. Deboche não é crime, mas se fosse...

