
No ano em que o Brasil enfrentou o peso do juro alto, a Melnick teve lucro recorde, mesmo que os financiamentos imobiliários tenham ficado mais caros. O resultado líquido de R$ 112 milhões foi 57% maior do que o do ano anterior. O CEO da empresa, Leandro Melnick, diz que parte desse crescimento vem da base mais baixa de 2024, mas cita o lucro de 2023, de R$ 103,9 milhões, para reforçar que a operação no ano passado foi, acima de tudo, "saudável".
Em um cenário corporativo em que empresas enfrentam problemas com endividamento, não é pouco.
— Temos uma inteligência imobiliária em Porto Alegre que nos permite navegar relativamente bem, mesmo em cenário hostil — afirma Leandro.
Na semana passada, a empresa acionou o botão que marca o início dos negócios na B3, a bolsa nacional de valores. O ato simbólico deveria ter ocorrido cinco anos atrás, quando a Melnick abriu capital. Mas era 2021, no auge da pandemia, e a cerimônia não ocorreu.
— A intenção era crescer em Porto Alegre, mas como o mercado local estava sem muito espaço, distribuímos 100% dos lucros desses cinco anos aos acionistas. Foram R$ 560 milhões. Crescemos menos, mas garantimos solidez — relata o CEO.
Para compensar, a empresa fez parcerias em São Paulo e apostou no Minha Casa, Minha Vida. A empresa ainda tem um projeto envolvido em disputa judicial, o da Rua Duque de Caxias, ao lado do Museu Julio de Castilhos, região em que foi liberada a autorização de construções de até 45 metros de altura. Não há planos de aproveitar essa "janela", segundo o CEO:
— É uma liminar muito parcial. Precisa ter uma consolidação definitiva do tema para poder se posicionar.






