
Como a coluna apontou em dezembro, a alta significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul no terceiro trimestre do ano passado era mais recuperação do que crescimento. Nesta terça-feira (31), o Departamento de Economia e Estatística (DEE) informou que, em todo 2025, o PIB gaúcho subiu 0,9% em relação ao ano anterior.
Embora corresponda a menos da metade o avanço nacional no ano passado, de 2,3%, o resultado ao menos não é desastroso para um Estado que depende tanto da produção agropecuária e enfrentou desafios à sua estrutura econômica ao longo do ano passado. Fechar no positivo, diante desse quadro, é um alívio. Mostra alguma diversificação, ainda discreta, mas presente.
Como a agropecuária despencou 6,8% com nova estiagem, o avanço foi sustentado por indústria e serviços, que subiram 1,7% cada um. É relevante em um ano que a economia gaúcha, com histórica vocação exportadora acima da média nacional, enfrentou até março um tarifaço que, em alguns casos, inviabilizou as vendas aos Estados Unidos.
Diante dos desafios estruturais, é surpreendente o crescimento de 10,6% na indústria de máquinas e equipamentos e de 13,9%, no segmento de produtos do fumo, muito impactado pelo tarifaço. Entre as maiores quedas, uma pode carregar uma irônica esperança para este 2026 que já nasceu sob o signo de ataques militares e de extrema incerteza. No setor de derivados de petróleo e biocombustíveis, houve tombo de 4,4% no ano passado. Neste, seja por efeito da alta de preços ou pelo incentivo involuntário de Donald Trump, ao menos esse segmento pode entregar melhores resultados.

