
Parece infindável o dominó de empresas do setor financeiro derrubadas pelo escândalo Master. As liquidações extrajudiciais de Entrepay, Acqio Adquirência e Octa são, respectivamente, a sétima, a oitava e a nona decretadas pelo Banco Central (BC) no entorno do ex-banco de Daniel Vorcaro. Embora façam parte de uma só estrutura, eram unidades separadas. O CEO do grupo, Antônio Carlos Freixo Júnior, também havia sido alvo da operação Compliance Zero.
Enquanto peças vão caindo e as investigações avançam, crescem os sinais de que, de fato, o caso é assunto para a CPI do Crime Organizado. Nesta semana, outra operação da Polícia Federal (PF), a Fallax, teve como alvo de busca e apreensão Rafael de Gois, CEO do Fictor, que "salvaria" o Master da ruína. A suspeita é de que faria parte de um grupo criminoso especializado em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal (Caixa).
A PF indicou que o grupo de Gois – há várias empresas –, usava o mesmo esquema de lavagem de dinheiro empregado por unidades de uma facção criminosa do Rio, baseado em empresas de fachada, movimentações simuladas e cooptação de funcionários de bancos. Para lembrar, quando apareceu na operação Carbono Oculto, a Reag, que tem fundos compartilhados com o Master, era suspeita de blindar recursos de outra facção, essa de São Paulo.
Quando a CPI do Crime Organizador, criada no Senado, tenta avançar na investigação do escândalo Master, costuma ser questionada sobre seu "objeto" – foco com o qual foi criada. Quando determinou a quebra de sigilo do fundo Arleen – comprador da participação da família Dias Toffoli resort Tayayá –, foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Uma das justificativas foi de que não tinha "nexo direto" com a CPI.
O suposto controlador do Arleen era o pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que agora tenta negociar um acordo de delação premiada. Os caminhos de Vorcaro e de Freixo Júnior se cruzam, ainda, em uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre irregularidades na emissão e distribuição de cotas de um fundo fechado chamado Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário.
O fato de passar por mecanismos mais sofisticados e ter conexões poderosas não vai encobrir a verdadeira natureza dessas relações caso a investigação deixe de tropeçar em obstáculos supostamente institucionais.
Os nove elos quebrados
Banco Master: principal instituição de Vorcaro, famosa por CDBs com remuneração acima do mercado, liquidado em 18 de novembro de 2025.
CBSF (ex-Reag): também investigada na Carbono Oculto, por suspeita de blindar recursos de facção criminosa, liquidada em 15 de janeiro de 2026.
Will Bank: financeira apresentada como banco digital controlada pela Master Múltiplo, liquidado em 21 de janeiro de 2026.
Fictor: duas empresas do grupo que compraria o Master na derradeira tentativa de venda entraram em recuperação judicial em 2 de fevereiro de 2026, depois outras divisões pediram inclusão na medida.
Pleno: banco comprado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e liquidado em 18 de fevereiro de 2026.
Master Múltiplo: o mais recente, que era o controlador do Will Bank, liquidado em 17 de março de 2026.
Entrepay, Acqio Adquirência e Octa: todo o "grupo" representava apenas 0,009% dos ativos totais do sistema financeiro nacional e não é coberto pelo FGC.



