
O comprometimento do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, ambos do Banco Central (BC), na defesa dos interesses do ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, amplia a gravidade do escândalo. Em um país sacudido por escândalos de tempos em tempos, até agora a instituição havia se mantido imune à contaminação. Desta vez, está comprovado que, quando se sentava para discutir o rumo do juro básico nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), Souza já atuava em favor do ex-banqueiro.
Nesta sexta-feira (6), o jornal Valor Econômico relata que Souza vendeu, por R$ 3 milhões, uma propriedade rural para uma empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso na terceira fase da operação Compliance Zero. Isso ocorreu em 13 de janeiro de 2021, uma semana antes de o então diretor de Fiscalização participar da decisão de manter a Selic em 2% ao ano (como vários países, o Brasil fez o juro tombar durante a pandemia de covid-19).

Pode ser só coincidência? O irmão do ex-diretor, Luis Roberto Souza, é administrador da Noah Empreendimentos e Participações, que tem como sócia a compradora do imóvel. O que está sob investigação, portanto, é uma venda fictícia, em pagamento por "serviços prestados". Seria um padrão da relação de Zettel com agentes públicos.
Conforme os registros no site do BC, Paulo Souza foi indicado para a Diretoria de Fiscalização em 19 de setembro de 2017, pelo então presidente da instituição, Ilan Goldfajn. Foi mantido no cargo na gestão de Roberto Campos Neto e só saiu do cargo em 12 de julho de 2023. Como é funcionário de carreira, foi aproveitado em outra função e, quando seu afastamento foi determinado pela Justiça, era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Seu superior imediato era Belline Santana.
Os dois altos funcionários participaram da derradeira reunião de Vorcaro com o BC, com presença do atual presidente, Gabriel Galípolo, em 17 de novembro de 2025. Foi o dia em que o então ainda dono do Master mandou mensagens insistentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Quando estava pronto para voar em seu jatinho, foi preso.
Esta nota está em atualização.




