
O tarifaço atropelou a fabricante gaúcha de móveis Artemobili, de Nova Prata. Com cerca de 70% do faturamento vinculado a exportações para os EUA, a empresa deixou de vender a clientes americanos e demitiu 200 dos seus 370 funcionários quando Donald Trump sobretaxou em 50% os produtos brasileiros em agosto do ano passado.
A derrubada do tarifaço pela Suprema Corte dos EUA permitiu que o dono da Artemobili, Gabriel João Cherubini, respirasse mais aliviado:
— Tivemos prejuízo grande no ano passado. Vamos voltar a crescer aos poucos. Primeiro, temos de conseguir pagar as despesas, não dar mais prejuízo. Agora, é um processo de reconquista dos clientes americanos.
A empresa chegou a ter contratos com distribuidores que vendiam os móveis gaúchos a grandes varejistas dos EUA, como Amazon, Walmart e Wayfair. Quando veio o tarifaço, mudou sua estratégia:
— Não queremos mais ficar só concentrados nos EUA. Voltamos a atuar mais no mercado interno e melhorar as vendas para países da Europa e da América Latina, mas isso demora — diz Cherubini.
A Suprema Corte derrubou as tarifas aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa), que somavam 50% no caso do Brasil e afetavam as vendas da fabricante gaúcha. O presidente americano retomou a medida protecionista com outro instrumento legal e adotou sobretaxa global de 10%, que representou redução de 40 pontos percentuais para diversos produtos brasileiros. Ainda ameaçou elevar a alíquota para 15%, mas até esse momento não concretizou a ameaça.
*Colaborou João Pedro Cecchini





