
No final do ano passado, a empresa norueguesa TGS começou a mapear o subsolo marítimo do RS para tentar encontrar acumulações de petróleo e gás na Bacia de Pelotas. David Hajovsky, vice-presidente executivo global de multi-clientes da companhia, participou de fórum nesta segunda-feira (30) em Rio Grande e concedeu entrevista à coluna.
Como está a pesquisa da TGS na área ao sul da Bacia de Pelotas?
Tem ocorrido conforme esperávamos do ponto de vista operacional. Tínhamos intenção de iniciar a aquisição (de dados) antes do final do ano passado, e conseguimos realizar. Podemos continuar até o inverno, quando haverá interrupção das operações, conforme exigido pela licença. Mas, até agora, tudo o que esperávamos ver no campo de operações é o que temos visto, não há surpresas.
Tem uma conclusão inicial?
Ficamos na busca em campo por um período de seis a 12 meses. Depois, costuma levar mais seis a 12 meses para processar todos os dados. E então uma equipe de geólogos, geralmente da empresa petrolífera, precisará de mais três a seis meses para interpretar os mapas que produzimos e criamos e determinar o potencial da área. Como a TGS tem experiência prévia com dados 2D, acreditamos haver algum potencial semelhante aos análogos geológicos, como a costa da Namíbia, onde houve algumas descobertas importantes. Portanto, com base nos dados que coletamos no passado e em informações mais recentes sobre os trabalhos em andamento do outro lado do Atlântico, temos motivos para acreditar que os novos dados 3D na Bacia de Pelotas vão ajudar as empresas petrolíferas a amadurecer as perspectivas e vão levar a perfurações de exploração, esperamos.
A pesquisa deve se estender até 2028. Quais as expectativas com os resultados?
Esperamos ter algumas conclusões preliminares em 2027. Há potencial para que a Bacia de Pelotas seja tão prolífica quanto a descoberta na Bacia de Orange, na costa da Namíbia e da África do Sul.
Há empresas que já demonstraram interesse nos dados que a TGS está coletando na Bacia de Pelotas?
Normalmente não divulgamos para quem, especificamente, estamos licenciando os dados. Mas você pode imaginar que, se empresas têm áreas na região, como Petrobras, Shell, Chevron e Cnooc, estarão interessadas nos dados que a TGS está coletando.
Investiremos entre US$ 500 milhões e US$ 575 milhões em novos dados sísmicos, para novas áreas e para áreas maduras
DAVID HAJOVSKY
Vice-presidente executivo global de multi-clientes da TGS.
Quanto a TGS investe na Bacia de Pelotas?
Não divulgamos detalhes sobre investimentos por país, mas o que posso dizer em nível global é que, conforme orientamos o mercado este ano, investiremos entre US$ 500 milhões e US$ 575 milhões em novos dados sísmicos, para novas áreas e para áreas maduras.
Além da parceria com a Furg, vocês contratam pessoas e empresas do RS?
É parte do motivo pelo qual estou em Rio Grande neste momento, pois em todos os mercados em que atuamos e em todos os projetos que realizamos, trabalhamos em estreita colaboração com todas as partes interessadas. As comunidades locais são as mais importantes. São as que, no futuro, poderão ser as mais impactadas por resultado positivo da perfuração. Portanto, na TGS, trabalhamos com a Furg e também com fornecedores locais na cidade e no Estado.
Em que outros lugares a TGS opera no Brasil e com quais empresas de petróleo vocês têm parceria no país?
Trabalhamos em todo o Brasil. Temos dados desde o extremo norte do país, na Margem Equatorial. E agora estamos construindo um banco de dados que vai até o Extremo Sul, na fronteira com o Uruguai, em Pelotas. Tivemos dois navios sísmicos trabalhando na Margem Equatorial no ano passado e neste ano. Atualmente, temos dois navios sísmicos trabalhando em Pelotas: um na costa do RS e outro na costa de Santa Catarina.
A TGS vende os dados apenas para uma empresa ou pode vender para mais de uma em uma área?
No modelo multicliente, que é o negócio que estamos realizando, no qual a TGS assume o próprio risco e investe nos dados, tentamos vender para o maior número possível de empresas petrolíferas interessadas.
Aumenta o custo de nossas operações como resultado dos preços mais altos dos combustíveis
DAVID HAJOVSKY
Vice-presidente executivo global de multi-clientes da TGS.
O aumento do petróleo tem algum impacto na atividade de prospecção?
Temos de adquirir combustível para nossas embarcações sísmicas, para nossas embarcações de apoio e para todas as operações em campo. Então, na verdade, aumenta o custo de nossas operações como resultado dos preços mais altos dos combustíveis.
Contratos já feitos têm variação também ou a alta do petróleo só altera contratos futuros?
Cada contrato pode ser diferente, a exposição depende muito da empresa.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo





