
Depois de mais um mês do ataque inicial combinado entre Estados Unidos e Israel ao Irã, a guerra não só parece longe do fim como está impondo um custo no limite do suportável, tanto em gastos bélicos quanto em efeitos colaterais previsíveis e imprevistos. Os dois países que estão ganhando – não só do ponto de vista geopolítico, mas econômico – são os "inimigos": o próprio Irã e a Rússia, que teve sanção a petróleo suspensa.
Na manhã desta segunda-feira (30), o petróleo está cotado em US$ 115, pressionado pelas ameaças de ofensiva militar terrestre no Irã – algo que não era sequer considerado um mês atrás. O maior problema econômico para o Brasil, no entanto, é o fato de que o barril do tipo brent está acima de US$ 100 há cerca de 20 dias. Tanto tempo nessa faixa de preço já não pode ser considerada "volatilidade passageira". Isso significa que a Petrobras terá de repassar ao menos parte da alta nos próximos dias, com óbvios efeitos inflacionários.
No mercado, não há mais expectativa de que, com um eventual fim da guerra, o preço do petróleo volte à faixa dos US$ 60 pela qual trafegou durante quase todo o ano passado. Mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto – em um futuro hipotético, neste momento não há qualquer sinal –, ataques iranianos a instalações petrolíferas na região do Golfo provocaram prejuízos que devem desembocar no valor da matéria-prima.
De acordo com as estimativas da Rystad Energy, os custos de restauração da infraestrutura energética chegam ao menos a US$ 25 bilhões, com base em avaliação preliminar das instalações afetadas. São refinarias, terminais de combustíveis e unidades de liquefação de gás natural (GNL) em toda a região do Golfo Pérsico.
Outro custo significativo – e inesperado – é o fato de que o Irã usa, para provocar esses danos, enxames drones "baratos" (para armamento), de US$ 20 mil e US$ 50 mil cada. Para interceptar ou derrubar esses equipamentos, os EUA usam mísseis caros, como o Patriot (ao redor de US$ 4 milhões) e THAAD (cerca de US$ 10 milhões). Na comparação dos extremos, o gasto americano é 200 vezes maior. E isso ocorre em um momento em que o país perdeu parte da arrecadação com tarifas e segue com dívida de US$ 39 trilhões, 125% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
E pode piorar: o principal alvo de uma invasão terrestre ao Irã seria a ilha de Kargh. Localizada a cerca de 20 quilômetros da costa, no Golfo Pérsico, tem uma megainstalação logística que responde por 90% das exportações de óleo e gás do Irã. Como é estratégica, é muito militarizada. São imprevisíveis as consequências de uma batalha travada entre tanques altamente inflamáveis.

