
Foi tão forte a reversão de expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) desta quarta-feira (18) que o Tesouro Nacional foi obrigado a intervir no mercado de títulos públicos todos os dias desta semana, de segunda até hoje. Por isso, a decisão de cortar o juro em 0,25 ponto percentual foi recebida até com certo alívio. A manutenção da taxa não estava fora de cenário, mas passaria uma mensagem que poderia aumentar o estresse já estabelecido.
Como também se esperava, o Copom evitou dar qualquer sinal sobre as decisões futuras. Só adiantou que os próximos passos deverão "incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".
Mesmo sem dar sinais claros, o Copom traçou um cenário complexo para as próximas reuniões. Avisou que "considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil". E pondera que "nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária". Resumindo, os preços já estão subindo acima do esperado e há risco de que aumentem mais.
O comunicado já começou a explicar que "o ambiente externo tornou-se mais incerto", portanto exige "cautela". Não bastava a guerra que fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz e levou o barril do petróleo para perto de US$ 110 na hora da decisão. Provocou forte turbulência no mercado interno, apesar das tentativas de amortecimento do repasse adotadas pelo governo federal.
Horas antes da decisão do Copom, o presidente do Federal Express (Fed, o BC dos EUA), Jerome Powell, disse ser "importante manter a política monetária levemente restritiva, ou próxima disso". O sinal de que o juro americano ficará inalterado por mais tempo complicou a equação.





