
O conflito desencadeado por ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se espalhou no Oriente Médio e atingiu ao menos 12 países que compraram US$ 1,3 bilhão em produtos do Rio Grande do Sul no ano passado, 5,9% das vendas gaúchas no período.
Essas exportações podem ser afetadas caso a escalada militar se estenda por quatro ou cinco semanas, como afirmou Donald Trump. O fechamento do acesso pelo Estreito de Ormuz também dificulta o comércio na região.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), só os envios do RS para a China, para os próprios EUA e para a Argentina superaram a soma dos embarques aos países afetados pela guerra.
Israel e Irã são protagonistas do conflito, mas Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre também relataram danos por ataques retaliatórios iranianos no Oriente Médio.
Nesse grupo, os Emirados Árabes Unidos têm maior relevância para as exportações do RS. O país que viu o luxo de seus arranha-céus em Abu Dhabi e Dubai ser ofuscado pelo rastro de mísseis e drones comprou US$ 471,5 milhões em produtos gaúchos e se posicionou como 12º maior parceiro comercial do Estado no ano passado.
A maior venda à região é de frango. Uma possível limitação nos envios por causa da guerra alertou o setor,. O RS enviou para os 12 países afetados pelo conflito 46% da carne de frango exportada no ano passado. Os Emirados Árabes Unidos receberam US$ 196,6 milhões de frangos com origem no RS em 2025, e a Arábia Saudita, US$ 117,6 milhões. São os dois maiores compradores estrangeiros do segmento no Estado.
Na via oposta, os 12 países envolvidos na guerra venderam para o RS sobretudo adubos e fertilizantes químicos, outro segmento afetado pelo impasse em Ormuz. A importação gaúcha desse conjunto alcançou US$ 744 milhões no ano passado, 5,6% do total que chegou ao Estado do Exterior.
Os 12 países nas exportações do RS
- Emirados Árabes Unidos: US$ 471,5 milhões
- Arábia Saudita: US$ 258 milhões
- Irã: US$ 163,9 milhões
- Iraque: US$ 94,2 milhões
- Catar: US$ 61,2 milhões
- Jordânia: US$ 54,1 milhões
- Omã: US$ 48,3 milhões
- Kuwait: US$ 47,1 milhões
- Líbano: US$ 19,4 milhões
- Israel: US$ 19,1 milhões
- Bahrein: US$ 13,3 milhões
- Chipre: US$ 8,7 milhões
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo






