
No final do ano passado, quando a Lojas Renner anunciou que pretendia aumentar sua receita líquida de 9% a 13% de 2026 a 2030, sobrancelhas levantaram-se. Era um plano ambicioso em meio a um cenário difícil para a grande maioria das empresas. No balanço de 2025, já entregou a meta: a empresa alcançou lucro recorde anual, de R$ 1,45 bilhão, 21,8% maior do que o de 2024, com aumento de 9,2% no indicador projetado para os próximos cinco anos.
— Já em 2025 obtivemos um resultado dentro do pretendido a partir de agora, o que mostra que é possível — diz o CEO da empresa, Fabio Faccio.
E isso ocorreu no ano em que várias grandes companhias enfrentam problemas de endividamento, acentuados pelo juro em 15%. Se fosse para resumir a fórmula mágica, seria a ausência de dívidas. Mas Faccio afirma que um resultado assim nunca é fruto de um só componente.
— Investimos muito nos últimos anos, tivemos melhoria do nosso modelo e maior eficiência na gestão de estoques, o que vem proporcionando aumento da nossa margem bruta.
A inexistência de passivos pesados ajuda, observa Daniel Martins, diretor financeiro da rede de varejo:
— A Renner é uma empresa que não tem dívida. Essa é a nossa fortaleza. Quitamos uma pequena no ano passado, de R$ 500 milhões. Mas com a geração de caixa, investimos R$ 200 milhões a mais (total de R$ 858 milhões), distribuímos R$ 1,8 bilhão aos acionistas e com tudo isso, conseguimos manter posição de caixa sólida.
Em 2021, a Renner fez uma venda adicional de ações no mercado. Segundo Faccio, ajudou a fazer investimentos em um novo centro de distribuição e em tecnologia. Mas lembra que, nos últimos cinco anos, a companhia distribuiu R$ 4,6 bilhões a seus acionistas, mais do que havia captado.
Com o conforto dado por esses resultados, a Renner vai pisar no acelerador, avisa Faccio. Depois de abrir 34 lojas em 2025, pretende adicionar de 50 a 60 unidades neste ano. No Exterior, estão contempladas algumas no Uruguai, mas a rede vai esperar um pouco mais para avaliar o aumento da rede na Argentina. A coluna quis saber se há planos em outros países.
— Estamos performando bem nos três países. Nesse momento, estamos focados no Brasil. Em outros países, não nesse momento. Mas a experiência que temos tido mostra que existe potencial.
Leia mais na coluna de Marta Sfredo



