
Depois de tocar a máxima de US$ 119, logo depois da reabertura do mercado, no domingo à noite, a cotação do petróleo se moderou, conforme a expectativa. Mas, também como esperado, mantém superdisparada de dois dígitos, de 10,4%, para US$ 102,35 na manhã desta segunda-feira (9). Com esse patamar, o aumento acumulado depois dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã chega a 40,4%. É a primeira vez em que o valor passa de US$ 100 depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Isso torna inevitável para a Petrobras repassar parte dessa alta. Como a estatal substituiu a fórmula baseada apenas na cotação internacional em maio de 2023, e a nova fórmula inclui dados conhecidos apenas pela estatal, só é possível supor o que será levado em conta para definir o percentual de reajuste. É claro que repassar toda a alta acumulada está fora de questão.
Graças ao pré-sal, o Brasil se tornou o oitavo maior produtor de petróleo do mundo. Desde 2020, também é exportador líquido da matéria-prima, ou seja, vende ao Exterior mais do que compra de outros países. No ano passado, alcançou a maior marca histórica de extração de óleo e gás natural, com 4,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), 13,3% acima de 2024. Desse total, 79,6% veio do pré-sal. E a Petrobras obteve outro recorde: o de exportação, com com 765 mil barris por dia, 27% acima de 2024.
Portanto, o Brasil não precisa importar petróleo para se abastecer. O maior problema é a dependência de diesel importado, já que não há capacidade de refino disponível para atender a todo o consumo nacional. Há necessidade de trazer do Exterior cerca de 25% desse combustível. Na tentativa de reduzir um pouco essa necessidade, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já pediu ao governo federal o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo fóssil de 15% para 17%.
Além da dependência do diesel, a Petrobras tem outro motivo para repassar parte da alta do petróleo: toda a cadeia de custos do segmento é baseada no preço do petróleo tipo brent, referência internacional. Isso significa que comprar ou alugar embarcações e equipamentos está mais caro. É dessa conta que deve sair o reajuste, que agora pode ocorrer a qualquer momento.
Por que disparou
A superdisparada é atribuída à combinação entre o fechamento do Estreito de Ormuz, e a redução na produção dos países do Oriente Médio. Sem poder escoar o petróleo extraído pela passagem, os produtores param a extração por falta de capacidade de armazenamento. A escolha e anúncio do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, filho do antecessor morto na ofensiva conjunta de EUA e Israel, também contribui para a pressão por sinalizar que o país atacado não pretende ceder.
As consequências
Com a superdisparada, quase todas as bolsas tiveram perdas – de 5,1% no Japão, por exemplo – ou abriram em baixa. No Brasil, o dólar sobe 0,2% pouco depois da abertura do mercado nacional de câmbio.





