
O Brasil é o sétimo maior produtor do mundo e exportador líquido de petróleo. Mesmo durante um choque heterodoxo no segmento – provocado por uma dificuldade logística, não por escassez do produto –, tem defesas para passar pelo problema com menos impacto.
Em Bangladesh, por exemplo, há filas quilométricas para ter acesso a combustíveis nos postos de revenda. O reconhecido internacional de que o Brasil virou um pouco "sultan of oil" é refletido na cotação do real: em vez de explodir, teve altas e baixas, mas segue no patamar de R$ 5,20 onde estava antes da guerra.
Mas não adianta ter defesa para fora se, do lado de dentro, tropas corroem a base desse escudo. Parte do desgaste ocorre quando agentes econômicos retêm produto esperando que aumente de preço. Não é para evitar perda. O objetivo é ganhar mais em cima do que já está comprado e pago. Pressionam a demanda, desequilibram a oferta. Provocam alta nos preços por mera especulação.
Outra erosão decorre da politização da pressão sobre os combustíveis. A essa altura, ninguém ignora os motivos da alta do petróleo e da pressão sobre os combustíveis. Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sem se precaver com um impacto econômico que qualquer cidadão mediamente informado poderia apontar: o risco de fechamento do Estreito de Ormuz.
Especular sobre uma greve de caminhoneiros, a essa altura, só é inócuo para... o interesse da categoria. A política de preços, para grande parte do mercado, não repassa altas abruptas. Isso é do interesse dos motoristas de caminhão. O que a greve de 2018 derrubou foi exatamente o sistema anterior, que não absorvia a volatilidade. Nem isso justificava a mobilização, mas ao menos explicava. O que a categoria almejaria, desta vez? A volta da política de preços anterior?
Cada nova ameaça desse tipo de movimento aumenta a possibilidade de privatização da Petrobras. Não raros economistas sustentam que só a saída do poder público do controle da cadeia de petróloe pode acabar com a estratégia de sequestro das estradas.
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