
Demorou, mas o Banco Central (BC) anunciou ter aceito, ao menos em parte, um pedido do sistema financeiro de liberar depósitos compulsórios para recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As fraudes do Banco Master provocaram rombo de quase R$ 50 bilhões no instrumento que visa proteger os correntistas de problemas eventuais.
Em nota publicada no final da tarde desta terça-feira, o BC estima que a liberação pode chegar a R$ 30 bilhões neste ano. Caso o valor se confirme, vai significar mais da metade do buraco provocado no FGC e reduzirá a conta que terá de ser paga por todos os usuários do sistema financeiro. Os depósitos compulsórios são recursos que ficam "congelados" no BC, para regular a quantidade de dinheiro que circula na economia.
Conforme a nota do BC, foi emitida resolução permitindo que "as instituições financeiras deduzam dos recolhimentos compulsórios de depósitos à vista e a prazo o valor a ser antecipado" ao FGC.
O rombo corresponde a cerca de um terço de todo o volume de recursos disponíveis do FGC, de R$ 155 bilhões. Conforme o BC, a recomposição da capacidade de atuação do FGC "atende ao interesse público associado à manutenção da confiança no sistema financeiro".
Em dezembro de 2025, o volume de compulsórios era de R$ 674,2 bilhões. Embora as contribuições ao FGC sejam encaminhadas pelos bancos, o dinheiro sai dos clientes, sob a forma de tarifas sobre empréstimos e até taxas sobre investimentos.





