
Na segunda-feira (30), o mercado financeiro no Brasil já havia ensaiado um descolamento dos sustos com o preço do petróleo. Às 17h desta terça-feira (31), o preço do barril do tipo brent nos contratos para entrega em maio estava em US$ 118, enquanto os mais negociados, para junho, eram cotados a US$ 104. No mês, a matéria-prima negociada na bolsa ICE de Londres acumulou alta de 64%. Mesmo assim, o dólar caiu 1,3%, para R$ 5,179, enquanto a bolsa disparou 2,71%, para 187,4 mil pontos.
A explicação para esse comportamento aparentemente dissociado vem de sinais vistos como de "fim de guerra". A fonte da percepção é uma reportagem do jornal americano especializado em finanças The Wall Street Journal. A leitura é de que as declarações cada vez mais desencontradas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, significariam que estaria disposto a encerrar as operações militares no Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda fechado.
Os investidores americanos compraram a versão do WSJ: as altas ficaram entre a "menor" de 2,3% no índice mais tradicional da bolsa de Nova York, o Dow Jones, à maior de 3,7% na Nasdaq, a de alta tecnologia.
Ao menos pelas muitas vozes da Casa Branca – presidente, porta-voz, secretários –, qualquer coisa pode acontecer. Os EUA podem bater em retirada, diante do já quase insustentável custo da guerra, quanto podem dobrar a aposta como parecem sinalizar com o envio de tropas ao Golfo Pérsico.
Trump gosta de parecer imprevisível, mas os truques podem estar se esgotando. Em 11 de março, ao abordar o risco político de uma guerra longa, a coluna escreveu: "Com sua capacidade inesgotável para a farsa, o atual ocupante da Casa Branca pode dizer que atingiu seus objetivos e acabar com a guerra".


