
Sem novas mudanças, o rombo de quase R$ 50 bilhões (R$ 46,9 bilhões) que o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, provocou no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vai parar nas nossas contas. Na minha, na sua. Quem contribui diretamente para formar o fundo são os bancos, mas é óbvio que não são doações a fundo perdido. O custo é repassado aos clientes, na forma de spread (acréscimo em relação à taxa básica) de empréstimos ou taxas de serviço para quem não demanda financiamento.
O volume não é pequeno: corresponde a cerca de um terço de todo o volume de recursos disponíveis do FGC, de R$ 155 bilhões. Portanto, recuperar essa quantia vai sair caro. Outra vez: não para os bancos, mas para seus clientes. Na tentativa de aliviar a necessidade da reposição, o sistema financeiro nacional tenta convencer o Banco Central a usar parte dos depósitos compulsórios para recompor o FGC.
O argumento tem amparo matemático: se corresponde a cerca de um terço do total disponível do FGC, o rombo de Vorcaro se dilui a 7% frente ao paredão de R$ 674,2 bilhões dos compulsórios, soma que consta em dezembro de 2025 nos dados do BC. Mas.
Sim, sempre tem um "mas". Parte do paredão do compulsório já começou a ser derrubada, em outubro de 2025, pela redução do cobrado nos depósitos da caderneta de poupança, como forma de liberar recursos para o crédito imobiliário. A fase inicial, que reduz o compulsório da poupança de 20% para 15% dos depósitos totais, representa redução de R$ 36,9 bilhões.
O pedido dos bancos de recompor ao menos parte do rombo do Master no FGC está em análise no BC, que até agora não se manifestou sobre a possibilidade. Seria interessante para todos, mas é preciso fazer muita conta para ter segurança em avançar nesse caminho.






