
Pensou na Suíça? Tente de novo. Em algum país nórdico, como a Islândia? Só tem mais uma chance. A coluna também foi surpreendida por um levantamento que aponta a ilha de Bermudas como o lugar do mundo com preços mais altos. A Suíça aparece como o país mais caro da Europa, enquanto Singapura está no topo na Ásia.
O Índice Global de Custo de Vida 2026 é calculado com base em Nova York, que tem 100 pontos. O de Bermudas – território ultramarino do Reino Unido – é de 123,5, o que significa que a média está 23,5% acima da maior cidade dos Estados Unidos. Pontuações abaixo de cem significam locais em que as despesas diárias são menores do que na cidade que nunca dorme.
Outra surpresa é que o Brasil, onde se costuma dizer que o salário termina antes do mês, aparece em uma confortável 129ª posição entre 155 países. A pontuação de 20,5 indica que o custo de vida por aqui está 79,5% mais baixo do que em Nova York. É ainda o terceiro menor da América do Sul, só acima de Bolívia e Paraguai. O mais barato é a Líbia, país acossado por instabilidade política e econômica desde 2011, embora (ou por isso) tenha as maiores reservas de petróleo da África.
A própria apresentação do índice chama atenção para um ponto comum entre os lugares mais caros do mundo: são ilhas que abrigam paraísos fiscais ou centros financeiros. Ilhas Virgens Americanas, a de Jersey e Caymã estão entre os 10 primeiros colocados no índice de custo de vida. A concentração de riqueza dá espaço para preços mais altos, gerados também por forte dependência de importações.
No terceiro lugar entre países e territórios, a Suíça tem seu centro financeiro, Zurique, como cidade mais cara do mundo em 2026. O franco suíço foi uma das moedas fortes que se valorizaram com a perda de valor do dólar. O país é conhecido por sua elevada renda básica, e a circulação de grandes orçamentos globais também ajuda a permitir preços mais altos.
Singapura, uma cidade-Estado, tem o custo de vida mais alto da Ásia e o quinto no mundo. É outro centro financeiro, e como tem área limitada, enfrenta altos preços de imóveis e dependência de importações: cerca de 90% dos alimentos vêm de outros países. O custo de vida virou preocupação global desde a pandemia, quando a inflação disparou em todas as latitudes. Conforme o índice, preços de moradia subiram 50% em 28 países desde 2020, enquanto os alimentos dispararam da Alemanha ao México, passando pela Malásia.



