
No evento com cerca de 700 pessoas em que anunciou o maior resultado da história do Banrisul, o presidente do banco, Fernando Lemos, fez um alerta. Ao falar sobre a reforma tributária, lembrou que o fim da guerra fiscal por investimentos privados, baseada na redução de ICMS, significa o início da guerra por subsídios públicos. Como o ICMS deixa de existir, essa ferramenta segue esse caminho.
— Vai haver briga pelos orçamentos públicos. Quem não tiver capacidade orçamentária vai ficar fora do jogo — afirmou Lemos.
Afirmou, ainda, que instituições fortes como Banrisul e BRDE podem conceder crédito para essa finalidade, mas precisam que o Tesouro do Estado subsidie o juro. Com pesada dívida com a União e obras urgentes de recuperação e de prevenção a catástrofes climáticas, atender a essa nova demanda é um enorme desafio para o RS.
A necessidade de que o Tesouro subsidie juro, caso haja capacidade e decisão para isso, decorre do nível de governança que o Banrisul aperfeiçoou ao reforçar a participação de mercado na sua estrutura acionária, o "follow on" realizado em 2007.
Não foi uma abertura de capital, porque já havia pouco volume de ações negociadas em bolsa. Mas permitiu que o banco estadual mantivesse o Estado como acionista controlador levando a fatia de acionistas privados à metade. Isso faz com que o Banrisul tenha cinco dos 11 integrantes do conselho de administração independentes – não ligados ao poder público estadual.
Essa mesma característica, segundo Lemos, protege o banco gaúcho de eventuais desconfianças relacionadas a instituições públicas estaduais que possam decorrer do envolvimento do Banco de Brasília (BRB) no escândalo Master. Além desses dois, há apenas três outras desse tipo: Banestes (Espírito Santo), Banpará (Pará) e Banese (Sergipe).
— O objetivo (da operação de 2007) era esse, estruturar governança correta. Embora o Estado seja controlador, 50% do capital do banco é privado.
Conforme Lemos, a retomada do financiamento a empresas está entre as explicações para o lucro recorde de R$ 1,6 bilhão em 2025, ano com seis meses de juro em 15% (a partir de junho). Ivanor Duranti, diretor de crédito, detalhou à coluna que a carteira de pessoas jurídicas representa cerca de R$ 16 bilhões, enquanto a do agro soma ao redor de R$ 14 bilhões. A inadimplência acima de 90 dias das PJs ficou perto de 4%, enquanto a do agro se limitou a 2,8% – a menor do sistema financeiro nacional, segundo Duranti.




